Alívio nos mercados financeiros
O mercado financeiro brasileiro respirou mais fundo nesta quinta-feira (30). A moeda norte-americana recuou para seu menor patamar em aproximadamente dois meses, refletindo um cenário internacional mais favorável impulsionado pelo enfraquecimento da divisa dos Estados Unidos e pela chegada de recursos estrangeiros ao país.
O otimismo transbordou para outros segmentos. A Bolsa de Valores disparou com ganho próximo a 2%, enquanto os preços do petróleo cediram terreno conforme operadores reduziram proteções contra riscos geopolíticos que vinham elevando as cotações.
O que mudou nos Estados Unidos
O movimento começou do outro lado do Atlântico. Indicadores divulgados sobre a inflação norte-americana sinalizaram uma possível mudança de rota no banco central americano. O núcleo do PCE, métrica de inflação monitorada pelo Federal Reserve, cresceu apenas 0,1% em junho, abaixo do que o mercado esperava (0,2%). Esse resultado abriu espaço para apostas de que a autoridade monetária possa manter os juros estáveis nos próximos períodos.
Quando cresce a perspectiva de estabilidade nos juros americanos, investidores migram recursos para ativos que oferecem rentabilidade mais atrativa. Nesse cenário, as moedas de nações emergentes, incluindo o real brasileiro, ganham força. No exterior, o índice DXY, que acompanha o desempenho do dólar contra seis moedas principais, retrocedeu 0,93%, puxado principalmente pela valorização do iene japonês.
A entrada de capital estrangeiro no mercado brasileiro também funcionou como catalisador. Operadores relataram busca intensificada por papéis de grandes empresas nacionais, movimento que expande a oferta de dólares por aqui e favorece ainda mais a apreciação do real.
Os números desta quinta
- Dólar comercial: R$ 5,061 (-0,93%)
- Ibovespa: 177.158 pontos (+1,88%)
- Petróleo Brent: US$ 86,88 (-1,37%)
- Petróleo WTI: US$ 83,59 (-1,03%)
Bolsa recupera perdas e petróleo cede
A Bolsa de Valores brasileira aproveitou o clima positivo e reverteu completamente as quedas sofridas no dia anterior, após o comunicado sobre política monetária do Federal Reserve. Bancos, empresas do setor de energia e mineradoras lideraram os ganhos. Globalmente, os índices norte-americanos também registraram altas: Dow Jones avançou 1,19%, S&P 500 ganhou 1,67% e Nasdaq saltou 2,78%.
O cenário doméstico contou ainda com um fator adicional: expectativas de redução da taxa Selic nos próximos meses, apoiadas em indicadores recentes de inflação controlada.
Quanto ao petróleo, as cotações internacionais devolveram parte dos ganhos obtidos na sessão anterior. O Brent, referência do mercado global, e o WTI, do Texas, ambos recuaram após terem subido durante a madrugada em resposta a novos enfrentamentos entre Estados Unidos e Irã. Porém, operadores amenizaram o prêmio de risco ao acompanharem negociações sobre o Estreito de Ormuz e concluírem que não há interrupção permanente do abastecimento mundial. A Opep+, que se reúne neste domingo para discutir níveis de produção, também permanece sob monitoramento dos investidores.
O movimento positivo reflete confiança renovada nos mercados emergentes, beneficiando principalmente ativos de maior risco conforme a percepção sobre a inflação internacional muda de tom.
Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.




