Concentração de poder tecnológico preocupa governo
O embaixador Celso Amorim, assessor especial da Presidência, alertou nesta terça-feira (16) para os riscos de permitir que um pequeno número de empresas de tecnologia, localizadas em poucos países, mantenha controle quase exclusivo sobre sistemas de inteligência artificial. Segundo ele, esse cenário tende a acentuar desigualdades mundiais e debilitar instituições democráticas.
Amorim participava da Conferência de Segurança Internacional do Forte, em Portugal, evento que reúne autoridades e especialistas da União Europeia e América do Sul, organizado pela Fundação Konrad Adenauer em parceria com o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI) e a Delegação da União Europeia.
O assessor presidencial argumentou que grandes corporações tecnológicas resistem a qualquer mecanismo regulatório e já dominam setores econômicos até mesmo em nações desenvolvidas. Nesse contexto, os Estados não podem renunciar ao seu direito legítimo de regular essas atividades, direito que, segundo ele, emana “do voto do povo”.
Dados como ativo estratégico nacional
Amorim ressaltou que investimentos em resiliência cibernética tornaram-se condição indispensável para a soberania nacional contemporânea. O aumento de ataques cibernéticos torna esse aspecto ainda mais crítico: sem salvaguardas digitais adequadas, não há possibilidade real de autonomia nas decisões políticas nem consolidação de confiança nas instituições públicas.
Informações e dados, segundo o embaixador, transformaram-se em ativos simultaneamente econômicos, políticos e militares. Esses registros alimentam algoritmos de inteligência artificial, orientam escolhas estratégicas de governos e empresas, e viabilizam monitoramento em escala massiva. O Brasil, argumentou, deve estar plenamente ciente dessa realidade e defender informações sensíveis, como aquelas do banco de dados do Sistema Único de Saúde.
Para Amorim, regulamentação das plataformas digitais é essencial para direcionar avanços tecnológicos rumo a benefícios coletivos: redução da pobreza extrema, preservação ambiental e cumprimento de direitos fundamentais. Ele citou a disparidade atual entre trilionários e 673 milhões de pessoas em situação de fome como algo “simplesmente inaceitável”.
Inteligência artificial militarizada preocupa estrategistas
O assessor presidencial também fez advertências sobre a aplicação dessa tecnologia em conflitos armados contemporâneos. O desenvolvimento de armamentos autônomos representa um dilema ético profundo: conforme essas ferramentas evoluem, o uso da força letal se torna cada vez mais distante do operador humano, diminuindo responsabilidade pessoal e culpa diante da morte e devastação causadas.
Num cenário geopolítico em que freios tradicionais ao recurso militar se dissolvem, o uso ofensivo dessa tecnologia em guerras demanda vigilância redobrada. Citando conflitos no Oriente Médio como exemplo, Amorim defendeu investimentos brasileiros em capacidades defensivas para “garantir nossa capacidade de dissuasão”.
A questão da regulação de empresas tecnológicas ganhou relevância no Brasil após ações do Supremo Tribunal Federal e decretos presidenciais exigindo compliance de gigantes digitais, além de avisos públicos sobre riscos de apostas online e plataformas tech para estabilidade democrática e bem-estar familiar.
Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.





