Ataque compromete sistema nacional de alertas

Um incidente de segurança no sistema de notificações de emergências da Defesa Civil resultou no envio de mensagens falsas para aproximadamente 30 milhões de pessoas espalhadas por oito estados brasileiros e Distrito Federal. Os disparos ocorreram entre 23h41 de sexta-feira (19 de junho) e 1h23 de sábado (20 de junho).

A investigação preliminar identificou que os cidadãos afetados residem em capitais como Belo Horizonte, Brasília, Campo Grande, Curitiba, Rio Branco, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo, além de diversos municípios menores localizados nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul.

Detalhes da invasão e conteúdo disparado

Durante coletiva de imprensa realizada no sábado pela manhã, o secretário nacional de Proteção e Defesa Civil do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, Wolnei Wolff, divulgou informações sobre o episódio. Ao todo, dez notificações distintas foram emitidas durante o comprometimento do sistema Defesa Civil Alerta. Nove utilizaram a tecnologia Cell Broadcast, implementada em 2025, enquanto uma aproveitou o sistema SMS, que estava em uso desde 2014 e foi substituído no ano anterior.

As mensagens continham termos inusitados como “misantropia” e “invasão alienígena”, acompanhadas de alertas sonoros. A primeira notificação foi direcionada para os moradores de Curitiba, seguida rapidamente pelo envio para outras regiões.

O Cell Broadcast funciona como um canal para transmitir avisos sobre fenômenos meteorológicos severos e desastres naturais diretamente aos aparelhos móveis de pessoas em territórios vulneráveis. Diferentemente de outros sistemas, a tecnologia dispensa aplicativos ou cadastros prévios, permitindo disseminação veloz e efetiva.

Investigação em andamento

As autoridades ainda buscam esclarecer se um único autor ou uma coligação de invasores perpetrou o ataque. A Polícia Federal conduz a apuração em cooperação com especialistas técnicos da Defesa Civil. A Agência Nacional de Telecomunicações também abriu investigação sobre o caso.

Indicadores sugerem que o ponto de entrada da invasão foi a própria plataforma da instituição responsável por gerar tais alertas. Porém, conforme comunicado da Anatel, as mensagens fraudulentas não circularam pelos canais oficiais operados pela ABR Telecom, entidade que administra tecnicamente o sistema.

Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.