Invasão de fraudes em redes sociais

Centenas de anúncios fraudulentos relacionados ao programa Desenrola Brasil estão sendo veiculados nas principais redes sociais, de acordo com investigação do Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais (Netlab) da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em um intervalo de apenas dois meses e meio, 544 publicações maliciosas foram identificadas circulando em plataformas mantidas pela Meta.

A pesquisa analisou conteúdos publicados entre 1º de abril e 14 de junho deste ano nas redes Instagram, Facebook, WhatsApp, Threads, Messenger e na rede de anúncios da empresa (Audience Network). Os golpistas operaram através de 48 páginas distintas, cada uma adotando estratégias próprias para enganar consumidores.

Estratégias e características das fraudes

A maioria das páginas fraudulentas apropriou-se diretamente do nome oficial do programa. Das 48 páginas identificadas, 34 utilizaram a denominação “Desenrola Brasil” para distribuir 278 anúncios. Outras 15 criaram um serviço governamental inexistente batizado de “Libera Brasil”, através do qual espalharam 264 publicidades enganosas. Uma página combinou ambos os nomes em suas ações criminosas.

Os pesquisadores constataram padrões recorrentes nas peças publicitárias. Setenta e dois por cento dos anúncios fazem uso indevido do nome e da imagem de órgãos públicos ou marcas privadas reconhecidas, como portais de notícias e instituições bancárias. Outras estratégias incluem links que imitam canais oficiais do governo (presentes em 19,1% dos anúncios) e utilização de conteúdo gerado por inteligência artificial (em 38,1% das publicações).

A metodologia dos golpistas segue um roteiro bem definido. Após atrair vítimas para sites fraudulentos através desses anúncios, os criminosos coletam informações confidenciais e dados pessoais. Em seguida, redirecionam as vítimas para conversas de WhatsApp, onde prosseguem com outras etapas do engodo. Os golpes também exploram promessas de soluções financeiras inviáveis e criam sensação de urgência artificial para impulsionar cliques.

Marie Santini, diretora do Netlab, evidencia a vulnerabilidade dos usuários diante desse cenário. “As pessoas não sabem que tantos anúncios fraudulentos estão circulando nas redes sociais sem nenhum tipo de fiscalização, de filtro ou de sistema de segurança. Então, isso torna cada vez mais perigoso, porque as pessoas veem anúncios legítimos e ilegítimos numa mesma plataforma, misturados. Para o usuário, é muito difícil diferenciar e, claro, isso torna as pessoas cada vez mais vulneráveis.”

Santini defende que as plataformas digitais implementem mecanismos de controle que verifiquem a autenticidade dos anunciantes e analisem o conteúdo das publicações. Ela reforça que “é obrigação daquele que presta o serviço garantir segurança e qualidade para o consumidor” e que “as autoridades precisam punir as plataformas”.

Resposta da Meta e contexto regulatório

A Meta informou, por nota, que considera o combate a fraudes e golpes online uma prioridade. A empresa afirma estar “intensificando nossos esforços utilizando tecnologia de inteligência artificial, modelos de linguagem de grande escala (LLMs) e reconhecimento facial para detecção e remoção de conteúdos, aplicando políticas rigorosas e oferecendo ferramentas de segurança e alertas”. De acordo com a empresa, denúncias de usuários sobre anúncios fraudulentos tiveram redução superior a 50% entre meados de 2024 e final de 2025.

As fraudes relacionadas ao Desenrola Brasil não são fenômeno recente. Segundo o Netlab, os golpes começaram assim que a primeira versão do programa foi lançada em 2023. Em julho daquele ano, o Ministério da Justiça determinou a retirada dos anúncios das plataformas e uma medida cautelar resultou em multa de R$ 9,3 milhões contra a Meta. Os golpes ressurgiram em 2025, intensificando-se em maio após o lançamento de uma segunda versão do programa pelo governo federal.

Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.