Brasília contesta medidas comerciais

O Executivo federal voltou a criticar duramente a possibilidade de novos encargos tarifários impostos pela administração americana sobre exportações nacionais. A posição foi reafirmada durante encontro de alto nível realizado terça-feira (14) com Jamieson Greer, responsável pelo comércio exterior dos EUA. O timing da conversa não foi casual: ocorreu exatamente 24 horas antes do vencimento do prazo para que Washington comunique sua decisão final sobre o assunto.

Conforme informou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, tratava-se do quinto diálogo entre autoridades dos dois países desde maio, quando Lula e Trump estabeleceram um grupo de trabalho dedicado às relações comerciais bilaterais. À mesa também estavam diplomatas do Itamaraty e assessores da Presidência.

Questionamentos sobre fundamentos

Brandindo argumentos técnicos, o Brasil questionou a validade das recomendações emanadas do escritório responsável pelas negociações comerciais americanas. Segundo a pasta, as análises que embasam as propostas de sobretaxas carecem de sustentação sólida e não justificam a criação de novos obstáculos ao comércio entre as nações.

Duas medidas específicas estão na mira da discussão. A primeira diz respeito a um acréscimo de 25% direcionado exclusivamente a mercadorias brasileiras. A segunda envolve uma tributação complementar de 12,5% vinculada a uma apuração sobre trabalho forçado, que afetaria também outras 59 nações. “O governo brasileiro reiterou que a aplicação de qualquer sobretaxa se mostra injusta e não é o caminho para que possamos formular um acordo bilateral mutuamente adequado”, declarou o Mdic em comunicado oficial.

Nos corredores, integrantes da equipe governamental avaliam que, apesar dos progressos iniciais nas conversas, a rigidez da posição americana intensificou-se nas últimas semanas. Ainda assim, a orientação do presidente é manter os canais de diálogo abertos e buscar uma solução negociada que evite a aplicação efetiva das tarifas.

Origem da disputa comercial

O desentendimento brota de uma investigação conduzida pela agência americana com base em dispositivo específico da legislação comercial dos EUA. Washington acusa o Brasil de adotar práticas prejudiciais aos interesses americanos em diversos setores: tecnologia digital, sistemas de pagamento eletrônico como o Pix, proteção de direitos de propriedade intelectual, acesso ao segmento de álcool combustível e temas ambientais, incluindo o combate ao desmatamento ilegal. Brasília refuta categoricamente essas acusações, argumentando que nenhuma delas sustenta a imposição de medidas retaliativas.

A conclusão da investigação e o anúncio da decisão ocorrem nesta quarta-feira (15), quando também será divulgada a relação de produtos potencialmente afetados pelas sobretaxas. Entre os setores mencionados nas primeiras indicações constam aeronaves, bens agrícolas e insumos para a indústria.

Conforme levantamento da Confederação Nacional da Indústria, aproximadamente 4,2 mil itens da pauta exportadora brasileira podem ser atingidos. O montante movimentado por essas mercadorias ultrapassa US$ 15 bilhões anualmente. Na lista de potenciais atingidos figuram ferro-gusa, artefatos de madeira e etanol. O governo brasileiro aguarda o pronunciamento oficial americano enquanto mantém canais diplomáticos ativos, reiterando sua disposição para o diálogo e deixando em aberto a possibilidade de respostas comerciais caso as sobretaxas se materializem.

Contexto: A decisão final sairá nesta quarta (15). Brasil e EUA negociam desde maio sobre o tema, mas analistas apontam endurecimento recente da posição americana. Caso confirmadas, as tarifas afetarão bilhões em exportações brasileiras, ampliando tensões entre os dois maiores nomes das Américas.

Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.