Alívio nos mercados interno e externo

O mercado financeiro brasileiro respirou fundo nesta sexta-feira. A moeda estadunidense encerrou a sessão em queda de 1%, fechando cotada a R$ 5,142 — seu menor nível desde 10 de agosto. Ao longo do pregão, havia recuado até R$ 5,13 por volta das 15h30. Acumulando o período semanal, a desvalorização chegou a 1,53%.

A recuperação não foi exclusividade brasileira. O cenário internacional de enfraquecimento da divisa estadunidense abriu caminho para que o real se destacasse entre as moedas emergentes, dividindo protagonismo apenas com o peso chileno. O euro, por sua vez, atingiu a cotação mais elevada desde maio, enquanto a libra esterlina marcou recorde desde fevereiro.

No mercado de câmbio global, o índice DXY — que mensura o desempenho do dólar contra seis moedas fortes — recuou para próximo dos 98,856 pontos, acumulando queda de cerca de 0,80% na semana. Especialistas atribuem o movimento à expectativa em torno de recompra de títulos de longo prazo pelo Tesouro norte-americano, operação que aumentaria a liquidez disponível no mercado de títulos públicos estadunidenses e, consequentemente, reduziria pressões sobre a moeda.

Bolsa avança em dia de otimismo

O Ibovespa acompanhou a tendência positiva do câmbio. O índice fechou aos 171.031,73 pontos, registrando ganho de 1,85% e marcando sua terceira sessão consecutiva de alta — a melhor cotação desde 10 de agosto. Na semana, acumulou avanço de 2,45%, embora o mês ainda exiba saldo negativo de 3,91%.

O desempenho foi sustentado especialmente por papéis do setor bancário. Ainda assim, analistas mantêm atenção no fluxo de capitais internacionais, que vinham pressionando o mercado. Dados da B3 revelaram saída líquida de R$ 22 bilhões em investimentos estrangeiros da bolsa brasileira até 19 de agosto. A recuperação dos índices sinaliza possível arrefecimento dessa tendência, apesar dos números acumulados no mês.

Contribuiu para o otimismo dos investidores a perspectiva envolvendo o cenário eleitoral brasileiro, que ampliou o apetite por ativos de maior risco — movimento típico quando expectativas sobre questões políticas domésticas se estabilizam.

Petróleo mantém pressão altista

No segmento de energia, o barril Brent encerrou cotado a US$ 94,39 — alta de 0,65% na sessão e acúmulo semanal de 6,6%. O WTI texano subiu 0,26%, fechando a US$ 87,06 por barril, com ganho semanal de 5,6%.

As tensões geopolíticas continuam alimentando os preços. As negociações entre Estados Unidos e Irã seguem travadas, enquanto restrições no transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz e no Mar Vermelho permanecem abaixo dos patamares pré-conflito. Esses entraves à oferta e à circulação internacional de petróleo mantêm o mercado atento aos possíveis impactos nas cotações futuras.

Principais indicadores da sexta-feira

  • Dólar comercial: R$ 5,142 (-1%)
  • Dólar na semana: -1,53%
  • Ibovespa: 171.031,73 pontos (+1,85%)
  • Ibovespa na semana: +2,45%
  • Brent: US$ 94,39 por barril
  • Brent na semana: +6,6%

A semana revelou um mercado em reconfiguração, com redução de pressões cambiais, aumento de confiança nos ativos locais e ajustes nos preços de commodities sob influência de tensões internacionais. O padrão das próximas sessões dependerá da continuidade da liquidez externa e do andamento das negociações geopolíticas.

Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.