Juros freiam crédito para indústria

A taxa de juros segue sendo o principal desafio enfrentado pela indústria brasileira na hora de buscar financiamentos. Levantamento divulgado pela Confederação Nacional da Indústria nesta sexta-feira (9) aponta que o custo do dinheiro permanece como barreira central para o acesso ao crédito, apesar de recentes reduções da taxa básica da economia.

Dentre os fabricantes que tiveram obstáculos em conseguir empréstimos de duração curta ou intermediária, sete em cada dez indicaram as altas taxas como um dos principais problemas. Na modalidade de financiamento de longa duração — acima de cinco anos — o percentual chega a 69% entre os gestores consultados.

O estudo ouviu 1.701 empresas do setor entre 3 e 12 de agosto, coletando informações sobre suas experiências de crédito durante os seis meses anteriores. A amostra considerou 692 operações pequenas, 612 de porte médio e 397 de grande escala distribuídas nacionalmente.

Embora continue liderando a lista de dificuldades, os juros mostram sinais de arrefecimento. Um ano antes, 80% mencionavam esse obstáculo em operações de curto e médio prazo, enquanto 71% se referiam ao longo prazo. “A redução das taxas demanda tempo para impactar efetivamente o valor final dos empréstimos, que continuam onerados para o setor”, observou Maria Virgínia Colusso, especialista em políticas industriais da confederação.

Outras dificuldades e desempenho do crédito

Além das taxas, a exigência de garantias materiais surge como segundo maior obstáculo. Um terço das indústrias que enfrentam problemas de financiamento apontou essa questão em operações de curto e médio prazo (33,4%), enquanto 31,5% mencionaram o mesmo em prazos mais longos.

A burocracia foi citada por 13,6% dos empresários para operações de curto e médio prazo. Para financiamentos de duração estendida, o segundo desafio identificado foi o período de carência, considerado insuficiente por 18,9% dos respondentes.

O comportamento das indústrias em relação à busca por crédito revela uma base encolhida. Metade das empresas (49,9%) não tentou obter ou renovar financiamentos de curto e médio prazo durante o semestre analisado. Apenas 22,9% conseguiram acessar o crédito desejado, enquanto 7,5% tentaram sem êxito.

Cenário mais desafiador marca o segmento de longo prazo: 54% não procuraram financiamento algum. Entre os que buscaram, apenas 15,5% tiveram sucesso, enquanto 9,2% não conseguiram viabilizar suas operações. As pequenas indústrias enfrentam taxas particularmente altas de fracasso — 48,2% não conseguem obter o crédito procurado, percentual praticamente idêntico ao das médias (48,1%), contrastando com 29,9% das grandes.

A taxa de insucesso entre quem efetivamente busca crédito também cresceu na comparação anual. Para operações de curto e médio prazo, saltou de 20% para 24,7%. No longo prazo, subiu de 33% para 37,2%.

Um padrão preocupante emerge do uso de linhas de longo prazo: empresas as utilizam para cobrir despesas rotineiras. Entre as que contrataram esse tipo de produto, 28,7% declararam usar para capital de giro — volume superior ao destinado para aquisição de máquinas (23,6%) e investimentos em infraestrutura (11,6%). Essa realocação de recursos revela dificuldades em acessar modalidades de curto prazo, já que quase 60% das empresas nesse segmento indicam capital de giro como finalidade principal.

Quando perguntadas sobre soluções, as indústrias apontaram a redução da carga tributária e administrativa como medida prioritária para descongelar o acesso ao crédito — resposta de 38,4% para prazos curtos e 31,2% para longos.

Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.