Eleição acirrada define rumo político da Colômbia

A Colômbia se prepara para um segundo turno presidencial no próximo domingo (21) que pode redefinir seus rumos políticos nos próximos anos. Dois candidatos polarizados disputam o poder: Iván Cepeda, que representa a continuidade do projeto de esquerda do governo atual, e Abelardo De La Espriella, apoiado abertamente pelo presidente americano Donald Trump e alinhado à extrema-direita.

No primeiro turno, realizado em 31 de maio, De La Espriella obteve vantagem expressiva. Com participação eleitoral de 57% em um país onde o voto é facultativo, o candidato de direita acumulou mais de 673 mil votos de diferença em relação ao rival, considerando um universo superior a 41 milhões de votantes aptos. O resultado colocou Espriella como favorito para a decisão de domingo, especialmente após conquistar o apoio da terceira colocada, Paloma Valencia, que recebeu 6,9% dos votos no primeiro turno.

Dois projetos, duas visões de futuro

Cepeda, senador em seu terceiro mandato, é filósofo e dedicou sua carreira à defesa dos direitos humanos. Sua trajetória marca-se pela luta contra a violência política no país: seu pai, Manuel Cepeda Vargas, também senador esquerdista, foi assassinado em 1994 durante um dos ciclos de terror que marcaram a Colômbia. Eleito como candidato governista, Cepeda promete dar continuidade ao Pacto Histórico, a coalizão que formou o primeiro governo de esquerda na história colombiana, liderado pelo presidente Gustavo Petro.

De La Espriella segue perfil distinto. Advogado multimilionário, nunca havia disputado cargo político antes desta candidatura. Residia na Itália e construiu carreira jurídica representando figuras polêmicas, incluindo integrantes ligados ao paramilitarismo colombiano e figuras do governo venezuelano. Sua campanha promete aproximação maior com Washington e com Israel, em uma estratégia que recupera a retórica tradicional americana sobre drogas e migração como principais problemas latino-americanos.

Segundo análise de Sebástian Granda Henao, professor de Fronteiras e Direitos Humanos na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), a vitória de Espriella significaria expansão da influência de Trump na região. “Vai ser mais uma ficha no tabuleiro desse modo imperial de Trump governar, se colocando para o mundo cobrando obediência. Diria que alguns processos em curso devem parar, como alianças contra a desigualdade ou por transição energética e preservação ambiental”, comentou o especialista.

Em sentido oposto, a reeleição de Cepeda manteria viva uma aliança entre Colômbia, Brasil e México, países que têm coordenado posicionamentos comuns nas relações internacionais recentemente. Henao destacou ainda que Espriella reproduz padrões vistos em outros países do continente, particularmente na Argentina: “Ele segue um padrão latino-americano dessa nova direita, usando metáforas de ‘homem forte’, referindo-se a si mesmo como ‘tigre’, repetindo uma estratégia de marketing político que vimos, por exemplo, na Argentina de Milei”.

A Colômbia chega ao segundo turno em contexto complexo. O país enfrenta conflitos armados ativos há mais de cinco décadas e acumula registros de violência política. O projeto de “Paz Total” do governo Petro não conseguiu resolver confrontos com grupos armados. Por outro lado, indicadores econômicos mostram-se relativamente estáveis, com crescimento salarial e implementação de reformas trabalhista e previdenciária que ampliaram direitos para empregados e aposentados.

O resultado do domingo terá implicações que ultrapassam as fronteiras colombianas. A escolha entre esses dois projetos definirá não apenas o futuro político da nação de 53 milhões de habitantes, segunda mais populosa da América do Sul, mas também o alinhamento geopolítico regional em um momento de pressão internacional por definições ideológicas mais claras entre os países latino-americanos.

Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.