Indústria recua após período de expansão
A atividade industrial brasileira registrou contração de 0,2% entre abril e maio, marcando o primeiro movimento negativo desde dezembro do ano passado, quando o setor havia caído 1,9%. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Industrial Mensal.
O desempenho ficou aquém do que analistas esperavam. De acordo com boletim da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, o mercado projetava uma expansão de 0,3% para o período. Em relação ao mesmo mês do ano anterior, a indústria ainda apresentou crescimento de 0,2%. Nos últimos doze meses, o setor acumula variação positiva de 0,4%.
Queda concentrada em setores específicos
A trajetória negativa de maio foi puxada principalmente por dois segmentos. O ramo de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis sofreu contração de 6,1%, após cinco meses consecutivos de altas. Nesse grupo, os maiores impactos vieram da retração na produção de álcool etílico e gasolina. As indústrias extrativas também contribuíram para o recuo geral, com queda de 2,6%, interrompendo também sua sequência positiva de cinco meses. A redução foi puxada por minério de ferro, óleos crus de petróleo e gás natural.
Além desses, o segmento de produtos alimentícios apresentou contração de 1,3%. Esses movimentos negativos superaram os ganhos de outros setores naquele mês.
Do lado das recuperações, destaque para a indústria farmoquímica e farmacêutica, que cresceu 13,1%. O setor automotivo avançou 4,1%, completando seu quinto mês consecutivo de expansão, beneficiado por maior produção de automóveis, caminhões e peças. Produtos químicos também tiveram desempenho positivo, com avanço de 3,1%.
Panorama das grandes categorias
Na análise das quatro principais categorias econômicas, apenas bens de consumo duráveis apresentou movimento expansionista de abril para maio, avançando 3,6%. Os demais segmentos recuaram: bens de consumo semi e não duráveis caíram 1,3%, bens intermediários recuaram 0,4% e bens de capital apresentaram queda de 0,2%.
Apesar da contração mensal, a indústria mantém posição 4,5% acima do nível pré-pandemia, registrado em fevereiro de 2020. Porém, ainda está 13% abaixo do recorde histórico atingido em maio de 2011.
O resultado de maio reflete dinâmicas contraditórias na economia brasileira: enquanto alguns setores como farmacêutico e automotivo mantêm momentum positivo, a energia e seus derivados enfrentam pressões que reverberaram na performance geral da indústria durante o mês.
Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.
