Disputa acirrada no Peru

A contagem de votos da eleição presidencial peruana mantém a tensão em alta nesta terça-feira (9). O progressista Roberto Sánchez Palomino segue na frente, mas com uma vantagem ínfima: apenas 19,8 mil votos separam o candidato de sua principal adversária, Keiko Fujimori, que representa a direita política do país.

Os números refletem um cenário extremamente equilibrado. Sánchez acumula 50,056% das intenções de voto, enquanto Fujimori permanece próxima com 49,944%. A oscilação nos percentuais ocorreu nas últimas horas, período em que a candidata direitista conseguiu reduzir o hiato entre ambos.

A trajetória da apuração revela mudanças significativas no decorrer do processo. No início do dia anterior (8), Sánchez havia ultrapassado numericamente Fujimori quando a contagem alcançava o patamar de 93,9%. Porém, em estágios iniciais da apuração—quando apenas um quinto das seções havia sido processado—a situação era oposta. Naquele momento, Fujimori desfrutava de uma vantagem de 200 mil votos, circunstância atribuída ao fato de as seções eleitorais da capital terem sido computadas em primeiro lugar.

Resultado oficial será demorado

O Jurado Nacional de Eleições (JNE), órgão responsável pela condução do processo eleitoral peruano, anunciou que a proclamação oficial dos vencedores ocorrerá somente entre junho e julho. Essa demora decorre da incorporação de um procedimento adicional na contagem: uma nova verificação obrigatória de votos em seções onde foram identificadas irregularidades.

Conforme informações do JNE, já foram recebidas mil atas sob revisão, todas submetidas novamente à contagem diante de representantes das agremiações políticas e supervisores eleitorais. Do total de mais de 92,7 mil registros da eleição, aproximadamente 2,2 mil ainda não foram incluídos no cômputo geral. Entre esses, 1,7 mil originam-se do exterior, região onde Fujimori tem apresentado desempenho superior.

Os dados do escrutínio internacional ilustram a importância dos votos ainda não processados. Até o meio do dia de hoje, somente 30,2% das atas do exterior haviam sido computadas, mostrando Fujimori com 65,4% e Sánchez com 34,5% daqueles votos. Esse cenário coloca em aberto a possibilidade de alterações no resultado conforme a totalização prossegue.

Os candidatos em disputa

Sánchez e Fujimori travam batalha pelo comando executivo peruano no período 2026-2031. Quem vencer assumirá como o nono presidente do país nos últimos dez anos, período marcado por grave instabilidade política e institucional. Desde 2016, duas autoridades renunciaram voluntariamente enquanto outras quatro foram removidas pela câmara legislativa, que funciona como poder predominante.

Fujimori, filha do ex-mandatário Alberto Fujimori—que governou entre 1990 e 2000 e foi condenado por graves violações aos direitos humanos incluindo procedimentos forçados em mulheres de origem indígena—acumula três derrotas consecutivas em segundo turno, respectivamente em 2011, 2016 e 2021.

Sánchez atua como aliado político de Pedro Castillo, ex-presidente que foi deposto, encarcerado e condenado por tentar golpear o Estado mediante dissolução do Parlamento. Apoiadores de Castillo argumentam que ele foi vítima de um golpe perpetrado pelo Legislativo como reação à sua representação do eleitorado rural e indígena. Com formação em psicologia, Sánchez integra a bancada federal pelo partido Todos pelo Peru, tendo ocupado função ministerial no governo anterior. Após votar no domingo (7) em Lima, visitou a instituição penitenciária de Barbadillo, onde Castillo permanece detido, mantendo-se no local até a liberação dos primeiros dados parciais.

A definição desta disputa interessa não apenas aos peruanos, mas também aos observadores regionais das dinâmicas políticas sul-americanas, ante o quadro de polarização ideológica e fragilidade democrática que caracteriza o contexto atual.

Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.