O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados ratificou, na terça-feira (9), uma segunda suspensão do mandato do deputado Marcos Pollon (PL-MS) por período de dois meses. A decisão, recomendada pelo relator Ricardo Maia (MDB-BA), foi aprovada nesta semana.

A medida decorre da Representação 26/25, iniciada pela Mesa Diretora da Câmara, que responsabiliza Pollon por declarações consideradas ofensivas e desabonosas dirigidas ao presidente Hugo Motta (Republicanos-PB). Os comentários teriam sido feitos durante ato público em Campo Grande, no estado do deputado, em agosto do ano passado.

Segundo episódio em poucos meses

Esta não é a primeira condenação de Pollon pelo colegiado. Em maio anterior, o Conselho já havia aprovado uma suspensão semelhante por igual período, desta vez relacionada à sua participação na condução de sessão plenária em 5 de agosto de 2025. Naquela ocasião, Pollon apresentou recurso à Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ).

Agora, diante desta nova punição, o parlamentar sinalizou que entrará novamente com apelação à CCJ. O deputado deixou claro que a decisão final sobre a suspensão caberá ao Plenário, onde será necessária maioria absoluta — 257 votos — para confirmar a medida.

Pollon contesta punição por expressão de opinião

Em resposta à condenação, Pollon protestou contra o que chamou de perseguição ideológica. Segundo o deputado, o país estaria seguindo caminho perigoso em que instituições punem indivíduos simplesmente por manifestarem pensamentos. Afirmou também que práticas aprovadas na Câmara tendem a ser replicadas em outras casas legislativas brasileiras, criando um padrão prejudicial à democracia.

O episódio coloca novamente em foco as tensões internas da Câmara, especialmente entre a gestão de Hugo Motta e deputados da oposição ou de alas mais críticas. A sequência de suspensões enfrentadas por Pollon em curto espaço de tempo exemplifica o acirramento político nas instituições nacionais, com conflitos que extrapolam o debate legislativo ordinário e alcançam as instâncias disciplinares da Casa.

Com informações da Agência Câmara. Veja a publicação original.