Aviso sobre futuro da integração acadêmica

Docentes da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo manifestam preocupação com possível desfecho institucional que minaria anos de trabalho em prol da colaboração entre diferentes campos do conhecimento. A questão central orbita em torno de uma escolha estrutural: manter o modelo atual ou adotar divisões departamentais tradicionais.

O projeto em risco

A EACH foi construída sobre princípios distintos da organização universitária convencional. Em lugar de silos disciplinares estanques, a unidade funcionava como espaço de encontro entre artes, ciências exatas e humanidades. Professores Marcos Bernardino de Carvalho, Michele Schultz, Vivian Urquidi, Luiz Menna-Barreto, Diamantino Pereira e Elizabete Franco apontam que essa estrutura permitiu experiências pedagógicas e científicas que não seriam viáveis sob organização fragmentada.

Segundo os autores, o modelo interdisciplinar representa investimento coletivo em uma visão alternativa de produção acadêmica. A integração entre áreas oferecia aos estudantes formação mais ampla e aos pesquisadores possibilidades de diálogo que transcendem fronteiras convencionais de especialização. Transformações administrativas que revertam essa configuração comprometeria objetivos consolidados ao longo do tempo.

A mensagem dos docentes funciona como diagnóstico e chamado de atenção. Eles sugerem que departamentalização seria etapa regressiva, reintroduzindo fragmentação que o projeto original buscava superar. A estrutura departamental clássica, embora estabelecida em muitas instituições, representaria ruptura com propósitos fundadores da escola.

O alerta levanta questão mais ampla sobre caminhos possíveis para universidades brasileiras. Mantém-se relevante discutir se modelos tradicionais de organização acadêmica ainda atendem demandas contemporâneas de produção de conhecimento, ou se experiências como a da EACH indicam necessidade de inovação institucional mais radical e permanente.

Com informações da Jornal da USP. Veja a publicação original.