Tecnologia promete revolucionar mercado de proteínas no Brasil

Um sistema inovador de produção de proteínas desenvolvido pela Biolinker, startup instalada em Cotia na região metropolitana paulista, conseguiu reduzir o tempo de síntese de cerca de 15 dias para apenas algumas horas. A realização aproxima o processo artificial daquele executado naturalmente pelas células vivas, que levam aproximadamente duas horas para sintetizar moléculas como a insulina.

O kit criado pela empresa — composto por quatro tubos contendo ingredientes em pó — utiliza um sistema de inteligência artificial para otimizar as etapas de planejamento e fabricação. A evolução do rendimento evidencia o avanço: a primeira versão, lançada em 2020, produzia 10 microgramas por litro; a mais recente, disponibilizada a partir de setembro de 2025, alcança 500 microgramas por litro, representando um aumento de 50 vezes.

Impacto econômico e perspectivas comerciais

A relevância comercial do desenvolvimento emerge do elevado custo das proteínas importadas. O fator de crescimento epitelial (EGF), utilizado em pesquisa, varia entre R$ 3 mil e R$ 8 mil por micrograma; em aplicações médicas, pode chegar a R$ 30 mil. O fator de crescimento endotelial vascular (VEGF), essencial para estimular a formação de vasos sanguíneos, atinge preços de até R$ 80 mil por micrograma. Esses valores justificam o investimento em alternativas nacionais.

Desde sua criação, a Biolinker já forneceu aproximadamente 250 tipos diferentes de proteínas — enzimas, anticorpos e vacinas veterinárias — para grupos de pesquisa vinculados a universidades e empresas em vários estados. Um destaque particular recai sobre os fatores de crescimento, macromoléculas de estrutura complexa já empregadas por produtoras nacionais de carne cultivada como substituto do soro fetal bovino.

O desenvolvimento contou com aproximadamente R$ 8 milhões em investimentos de fontes privadas, incluindo o ex-CEO do iFood, Fabricio Bloisi, e gigantes como Google, além de suporte de órgãos públicos: FAPESP, Finep, Sebrae e programa Desenvolve São Paulo.

O mercado de enzimas no país movimenta cerca de US$ 300 milhões anuais em vendas, conforme dados de 2025 das empresas de consultoria Grand View Research e MarkNtel Advisors. Apesar do tamanho, o setor enfrenta forte concorrência das filiais de multinacionais e importadores de produtos originários da China, Estados Unidos e Europa. Brasileiras como ApexZymes (Campinas), ByMyCell e FastBio (ambas de Ribeirão Preto) disputam espaço no mercado com estratégias e públicos-alvo frequentemente sobrepostos.

As proteínas, estruturas formadas por aminoácidos e entre 100 e 10 mil vezes menores que uma célula humana, medem em média 5 nanômetros, podendo alcançar até 8 nanômetros. Apesar de suas dimensões minúsculas, essas macromoléculas — incluindo enzimas fundamentais como alfa-amilase, lactase e celulase — sustentam um segmento econômico robusto e em expansão.

Com informações da Revista Pesquisa FAPESP. Veja a publicação original.