Megaoperação coordenada pelo Gaeco atinge facção de abrangência nacional

Uma ação de largo alcance contra uma organização criminosa com atuação em âmbito nacional foi deflagrada nesta segunda-feira (15) pelo Ministério Público estadual e pela Secretaria da Segurança Pública do Paraná. Denominada Operação Panóptico e articulada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a iniciativa se estende simultaneamente por outros três estados: Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e São Paulo, contando com apoio das respectivas forças locais de segurança.

O empenho envolve aproximadamente mil policiais que cumprem uma quantidade expressiva de determinações judiciais desde as primeiras horas do dia. Ao todo, foram expedidos 304 mandados, sendo 176 de prisão contra investigados em liberdade e 128 de busca e apreensão para coleta de provas. Além disso, 92 ordens visam a pessoas que já se encontram sob custódia prisional ou aguardando desfecho processual.

Até as 11h da manhã, 97 dos 128 mandados de prisão contra indivíduos soltos haviam sido cumpridos com êxito. O curso da operação foi marcado por dois confrontos armados que resultaram em ferimento: um policial foi atingido por disparo em Cambé, na região metropolitana de Londrina, porém, conforme informações do MPPR, sua vida não corre perigo.

Confrontos armados e desfechos letais durante a ação

Dois suspeitos integrantes da organização criminosa morreram após reagirem durante a operação, um em Cambé e outro em Nova Londrina. Um deles possuía duas ordens de prisão pendentes relacionadas a tráfico de drogas e roubo, enquanto o segundo era procurado por ligação com o PCC, segundo os promotores responsáveis.

De acordo com comunicado do MPPR, o propósito central da operação concentra-se em responsabilizar o máximo possível de membros da facção, reduzindo sua capacidade operacional no estado, coletando evidências e desvendando delitos adicionais atribuídos ao grupo. O MPPR destacou ainda que as prisões decretadas objetivam paralisar a continuidade das atividades ilícitas conduzidas por esses indivíduos.

A Secretaria da Segurança Pública ressaltou que 204 equipes dos segmentos de polícia Militar, Civil, Penal e Científica participaram da ação com o intuito de desarticular a estrutura da facção, responsabilizar seus integrantes, cessar operações criminosas e ampliar a reunião de provas sobre outros crimes imputados ao grupo.

Cobertura territorial e nomenclatura da operação

No Paraná, onde ocorreram a maioria das buscas e prisões, os mandados atingem 34 municípios: Astorga, Arapoti, Candói, Cascavel, Cianorte, Cruzeiro do Oeste, Curitiba, Foz do Iguaçu, Francisco Beltrão, Guaíra, Guarapuava, Irati, Jandaia do Sul, Laranjeiras do Sul, Loanda, Londrina, Manoel Ribas, Maringá, Nova Londrina, Paraíso do Norte, Paranavaí, Paranacity, Piraquara, Ponta Grossa, Porecatu, Prudentópolis, Roncador, Santo Antônio da Platina, São José dos Pinhais, Sarandi, Sengés, Telêmaco Borba, Umuarama e União da Vitória. Também houve execução de ordens em Naviraí (MS), Joinville (SC), Bauru (SP) e Itapecerica da Serra (SP).

O nome escolhido para a operação remete ao conceito grego de panóptico—aquilo onde tudo é visto—, expressão popularizada pelo sociólogo Michel Foucault em sua obra Vigiar e Punir para designar uma estrutura arquitetônica de estabelecimentos prisionais que possibilita aos agentes de segurança manter sob vigilância permanente e contínua os detentos.

A operação integra-se aos esforços recentes de órgãos de segurança no combate ao crime organizado no Brasil, refletindo uma estratégia coordenada entre estados para neutralizar estruturas criminosas de grande capilaridade territorial.

Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.