A Rússia atacou centros urbanos da Ucrânia na manhã de quinta-feira com uma ofensiva aérea de grande proporção, causando cortes generalizados de energia e forçando populações a buscar refúgio. Kiev e Kharkiv, no nordeste, foram os principais alvos da operação, de acordo com autoridades da capital ucraniana.

Nas ruas de Kiev, equipes de resgate revistavam entulhos de imóveis danificados pela explosão, enquanto fumaça dos mísseis visível no céu marcava a trajetória dos ataques. Paralelamente, em Kharkiv, equipes de combate ao fogo atuavam para controlar um incêndio deflagrado em uma instalação de geração de eletricidade.

Defesa consegue derrotar maioria dos projéteis

A defesa antiaérea ucraniana logrou interceptar 54 de 69 mísseis lançados pela Rússia em ofensiva que começou às 7h da manhã, de acordo com militares do país. Alarmes contra ataques aéreos soaram em todo o território nacional, com a capital experimentando um dos períodos de sirene mais prolongados desde o início do conflito — cinco horas ininterruptas.

De acordo com o general Valery Zaluzhny, comandante militar ucraniano, o ataque envolveu diversos tipos de armamento: “mísseis de cruzeiro aéreos e marítimos, mísseis guiados antiaéreos e S-300 ADMS em instalações de infraestrutura de energia de nosso país”. O brigadeiro-general Oleksiy Hromov completou a informação explicando que os ataques miraram “instalações vitais e de infraestrutura de energia nas regiões leste, centro, oeste e sul”.

O bombardeio de quinta-feira faz parte de uma escalada maior de operações aéreas russas. Novas ondas de ataques com drones explodem contra alvos ucranianos ocorreram horas antes, e desde semanas a Rússia intensifica campanhas dirigidas à infraestrutura energética crítica do país, deixando milhões sem eletricidade e aquecimento em meio ao rigoroso inverno.

Reação política ucraniana

O ministro das Relações Exteriores ucraniano, Dmytro Kuleba, condenou a ofensiva em termos severos, caracterizando a operação como “barbárie sem sentido” e destacando o timing da ação — dias antes do Ano Novo. A declaração enfatizou que os ataques visavam “cidades ucranianas pacíficas”.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, gravou um apelo aos concidadãos para que estreitassem laços com familiares, demonstrassem afeto aos amigos e apoiassem colegas. “Não perdemos nossa humanidade, embora tenhamos passado meses terríveis”, afirmou ele, reforçando: “E não vamos perdê-la, embora haja um ano difícil pela frente.”

A Rússia nega mirar em populações civis, mas autoridades ucranianas sustentam que bombardeios sucessivos destruíram cidades, vilas inteiras e infraestruturas hospitalares, médicas e de energia. O ataque ocorre dias após o Kremlin rejeitar uma proposta de paz ucraniana, condicionando negociações ao reconhecimento da anexação de quatro regiões ucranianas.

Desde 24 de fevereiro deste ano, quando as operações militares começaram, a Rússia mantém sua campanha ofensiva. Moscou descreve suas ações como “operação militar especial” para desmilitarizar o vizinho, interpretação rejeitada por Kiev e parceiros ocidentais, que denunciam uma apropriação territorial de caráter imperialista.

Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.