Recuperação impulsionada por inflação menor

O mercado de capitais brasileiro encerrou a sexta-feira em trajetória positiva, capitalizando sinais de desaceleração no ritmo de preços da economia. O índice principal avançou significativamente, alcançando seu melhor patamar em mais de dois meses, enquanto a moeda norte-americana recuava pelo terceiro dia consecutivo.

O gatilho para o desempenho favorável veio da divulgação do indicador de inflação oficial de junho. O resultado mostrou desaceleração maior que o antecipado pelos analistas, com o índice recuando para 0,16% no mês, ante 0,58% registrado em maio. Nos últimos doze meses, a inflação acumulava 4,64%, criando abertura para possíveis reduções na taxa básica de juros.

O dado reforçou apostas de que o banco central possa retomar a trajetória de cortes na próxima reunião de política monetária, agendada para agosto. A expectativa de juros menores aquece o apetite por ações ao diminuir despesas com financiamento empresarial e potencializar ganhos futuros.

Números do dia e dinâmica dos principais ativos

O índice de ações encerrou com ganho de 2,97%, chegando a 177.866,37 pontos e marcando o melhor fechamento desde 14 de maio. O dia representou a terceira semana consecutiva de valorização, com acumulado de 2,18% no período. De janeiro até agora, o índice acumula avanço de 10,39%, enquanto julho isoladamente registra alta de 3,40%. Apenas um dos 79 ativos que compõem o indicador fechou em terreno negativo, enquanto R$ 24,99 bilhões passaram por negociações.

A divisa dos Estados Unidos apresentou movimento oposto. O dólar à vista registrou queda de 0,31%, encerrando cotado a R$ 5,108, marcando o menor patamar de fechamento desde 16 de junho. Na mínima intradiária atingida por volta das 13h30, a moeda chegou a R$ 5,098. A sequência de três dias de perdas acumula desvalorização semanal de 1,18% e recuo de 1,06% desde o início de julho. No ano, a moeda americana já cai 6,94%.

O comportamento do real acompanhou movimento mais amplo de fortalecimento em economias emergentes, em contexto de retomada de apetite por ativos considerados de maior risco. Mesmo com tensões geopolíticas persistentes no Oriente Médio, investidores demonstraram disposição maior de retomar posições em mercados de risco.

O petróleo fechou em queda pela segunda sessão consecutiva, apesar da continuidade de confrontos entre Washington e Teerã. O barril Brent recuou 0,38%, encerrando a US$ 76,01, enquanto o WTI do Texas caiu 0,93% para US$ 71,41. Apesar das perdas do dia, a commodity acumula ganho de 5,39% na semana. O fluxo de embarcações pelo Estreito de Ormuz, rota crítica para 20% do petróleo comercializado globalmente, mantém-se aberto, contendo temores de interrupção mais severa da oferta internacional. Investidores continuam monitorando negociações entre os dois países como termômetro para comportamento futuro dos preços.

O cenário evidencia divisão entre fatores domésticos favoráveis à renda variável brasileira e incertezas externas que ainda influenciam commodity e moedas emergentes. Próximas semanas devem consolidar ou reverter movimentos conforme novos dados de inflação global e desenvolvimentos no Oriente Médio.

Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.