A inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), indicador conhecido como “inflação do aluguel”, apresentou movimento de contração em junho. O resultado negativo de 0,5% representa a primeira deflação desde fevereiro deste ano, sinalizando arrefecimento nas pressões inflacionárias após meses de altas sucessivas.

Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV). O resultado ficou abaixo das projeções do mercado financeiro, que esperava uma variação positiva de 0,03% conforme sondagem do Banco Central (BC).

Queda em combustíveis e alimentos puxa índice para baixo

A redução foi impulsionada principalmente pela queda nos preços de gasolina, etanol e café. Comparado ao mesmo período do ano anterior, o índice registrou deflação mais acentuada: em junho de 2025, o IGP-M havia marcado -1,67%. No acumulado de 12 meses, o indicador permanece positivo em 3,16%.

Segundo análise de Matheus Dias, economista da FGV, os preços de commodities energéticas e minerais convergiram para patamares anteriores ao conflito no Oriente Médio, retornando aos níveis de antes de março deste ano. No cenário agrícola, o aumento da produção nas principais safras resultou em maior oferta de produtos, refletindo-se diretamente na retração de preços pagos pelos produtores e, subsequentemente, repassada ao consumidor final.

“Parte dessa redução nos preços ao produtor tem sido repassada aos preços ao consumidor, com destaque para as quedas em gasolina, etanol e café em pó”, descreve Dias.

Componentes e trajetória do índice

O IGP-M é composto por três indicadores distintos. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), responsável por 60% da composição final, registrou deflação de 0,97% em junho. Neste segmento, os produtos que mais contribuíram para a queda foram café em grão (-9,69%), óleo diesel (-6,18%), farelo de soja (-2,98%), minério de ferro (-2,61%) e cana-de-açúcar (-1,88%).

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que representa 30% do IGP-M, apresentou alta de 0,47%, reduzindo o ritmo de expansão em relação a maio, quando havia subido 0,61%. Entre os itens que puxaram para baixo este componente encontram-se etanol (-5,61%), maçã (-3,75%), café em pó (-2,57%), gasolina (-1,29%) e leite tipo longa vida (-0,80%).

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), terceiro componente, variou positivamente em 0,85%, refletindo pressões em custos do setor imobiliário.

No primeiro semestre de 2026, o acumulado do IGP-M marca 3,27%. A trajetória mensal ao longo do ano mostra volatilidade: após alta de 2,73% em abril (impactada pelo conflito no Oriente Médio), o índice registrou deflação em fevereiro (-0,73%), altas moderadas em janeiro (0,41%), março (0,52%) e maio (0,84%).

O IGP-M serve como base para reajuste anual de contratos imobiliários e é utilizado para indexação de tarifas públicas como energia e telefonia, além de serviços essenciais. Os preços são coletados em sete capitais: Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador. A apuração de junho considerou o período entre 21 de maio e 20 de junho.

Para o encerramento do ano, o mercado projeta acumulado de 6,15% em 12 meses. A dinâmica de preços seguirá dependente de fatores externos, como evolução da situação geopolítica no Oriente Médio e desempenho das safras agrícolas brasileiras nos próximos meses.

Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.