Barreira dos R$ 9 trilhões é ultrapassada
O endividamento público brasileiro avançou significativamente no mês passado, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (26) pelo Tesouro Nacional. A Dívida Pública Federal (DPF) saiu de R$ 8,798 trilhões em abril e atingiu R$ 9,033 trilhões em maio, representando uma expansão de 2,66%.
O crescimento foi alimentado principalmente pela emissão robusta de títulos indexados à Taxa Selic, os juros básicos da economia. Além disso, a apropriação mensal de juros contribuiu para pressionar o montante total da dívida, reflexo direto do patamar elevado em que a taxa de juros se encontra atualmente, fixada em 14,25% ao ano.
Embora o avanço seja expressivo, o Tesouro avalia que o movimento está alinhado com as projeções estabelecidas. De acordo com o Plano Anual de Financiamento divulgado em janeiro, o saldo da dívida federal deve encerrar 2026 entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões, cenário no qual o desempenho de maio se enquadra normalmente.
Emissões recordes e apropriação de juros
O componente de títulos mobiliários internos experimentou elevação de 2,72%, passando de R$ 8,462 trilhões para R$ 8,692 trilhões. O Tesouro colocou R$ 166,23 bilhões em títulos no mês, cifra que marca o maior volume registrado em toda a série histórica do órgão.
A emissão líquida (descontados os resgates) totalizou R$ 135,61 bilhões. Os resgates ficaram em R$ 30,62 bilhões, patamar reduzido conforme padrão sazonal, uma vez que o segundo mês de cada trimestre tradicionalmente concentra poucos vencimentos de papéis. O resultado líquido positivo refletiu tanto a substituição de títulos que venceram em março quanto o atendimento da demanda dos investidores em maio.
Separadamente, a apropriação de juros adicionou R$ 94,17 bilhões ao estoque da dívida. Esse mecanismo representa o reconhecimento mensal da correção que incide sobre os títulos em circulação, incorporando automaticamente novos valores ao endividamento total conforme as taxas de juros contratadas.
Dívida externa e reservas de emergência
A componente externa da dívida federal registrou alta de 1,28%, evoluindo de R$ 335,88 bilhões em abril para R$ 340,49 bilhões em maio. O Tesouro identificou como principal fator a valorização do dólar, que avançou 1,37% no período.
A reserva de liquidez da dívida pública, conhecida como colchão e utilizada em momentos de turbulência ou concentração de vencimentos, expandiu-se após recuos nos meses anteriores. O montante saltou de R$ 1,091 trilhão em abril para R$ 1,211 trilhão em maio, o maior nível desde novembro de 2025. Essa reserva atualmente cobre 9,14 meses de compromissos de vencimento da dívida, enquanto os próximos 12 meses concentram R$ 1,804 trilhão em títulos programados para resgate.
Composição e perspectivas
A estrutura da dívida federal passou por ajustes em sua composição. Os títulos atrelados à Selic aumentaram de 48,59% para 48,99% do total, enquanto papéis prefixados subiram de 20,85% para 21%. Em contraponto, títulos corrigidos pela inflação recuaram de 26,76% para 26,26%, e papéis cambiais caíram de 3,8% para 3,75%.
As projeções do Plano Anual de Financiamento apontam que até o encerramento de 2026, os papéis vinculados à Selic devem oscilar entre 46% e 50% do total; títulos de inflação entre 23% e 27%; prefixados entre 21% e 25%; e cambiais entre 3% e 7%. A preferência atual por títulos indexados à Selic reflete o interesse dos investidores nas taxas elevadas estabelecidas pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central, enquanto papéis prefixados tendem a atrair menos interesse em momentos de instabilidade financeira, quando investidores exigem retornos ainda maiores que comprometeriam a gestão governamental.
A trajetória do endividamento público segue em evidência enquanto o governo administra vencimentos concentrados e mantém espaço fiscal dentro das projeções oficiais. O cenário dependerá, nos próximos meses, da manutenção das condições de refinanciamento e do comportamento das taxas de juros na economia.
Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.




