Dimensão do trabalho por plataforma no país
O Brasil contava com aproximadamente 2 milhões de profissionais utilizando aplicativos para trabalhar durante 2025, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A maioria atua por conta própria, enfrentando rotinas mais extensas comparadas às de demais trabalhadores do mercado privado e recebendo menos por hora de labor.
As informações integram um estudo experimental sobre atividades mediadas por plataformas digitais da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua. O levantamento abrangeu pessoas com 14 anos ou mais que usam esses serviços para oferecer transporte e entregas. O IBGE designa esse contingente como “plataformizados”.
Esse universo representava 1,9% da população economicamente ocupada nacional. Quando considerados apenas os que exercem essa atividade como ocupação primária, o total atingia 1,8 milhão de pessoas.
Quem são e o que fazem os trabalhadores de apps
O transporte de passageiros lidera a atuação desses profissionais. Aproximadamente 1,2 milhão se dedicavam a essa modalidade, correspondendo a quase 59% do total plataformizado. Dentro desse segmento, 1,1 milhão utilizava plataformas como Uber e 99, enquanto 232 mil operavam exclusivamente por aplicativos de táxi.
Entregas de comida, produtos e similares representavam a segunda maior frente. Um quinto dos plataformizados, equivalente a 376 mil pessoas, trabalhava para serviços como Rappi, iFood e Zé Delivery. Serviços profissionais diversos — abrangendo designers, tradutores e consultas médicas realizadas via plataforma — empregavam 313 mil profissionais, cerca de 16% do contingente.
A análise setorial revelou concentração expressiva: no segmento de transporte, armazenagem e correios, os plataformizados representavam 75% dos ocupados, indicando que três em cada quatro trabalhadores desse ramo utilizam aplicativos.
Evolução e dinâmica de crescimento
O estudo da Pnad sobre plataformas ainda encontra-se em fase experimental, submetido a avaliação contínua. Levantamentos anteriores ocorreram em 2022 e 2024, mas com metodologia distinta: captavam apenas os que tinham apps como atividade principal, excluindo quem as usava para renda complementar. Essa diferença torna incomparável o dado de 2 milhões em 2025 com períodos precedentes.
Focando-se exclusivamente naqueles cuja ocupação principal era via apps, o crescimento ficou evidente. De 2022 para 2025, o aumento alcançou 36,8%, enquanto no intervalo de um ano (2024-2025) chegou a 9,1%. Os entregadores de plataforma foram o segmento com expansão mais acelerada entre 2024 e 2025, crescendo 18,6%.
- 2022: 1,3 milhão de plataformizados com ocupação principal
- 2024: 1,7 milhão de plataformizados com ocupação principal
- 2025: 1,8 milhão de plataformizados com ocupação principal
Perfil e motivações
O perfil dos profissionais mostra predominância masculina: 84,4 em cada 100 plataformizados eram do sexo masculino em 2025. Quanto à faixa etária, quase a metade (47%) tinha entre 25 e 39 anos.
Sobre as razões que os levaram a essa modalidade de trabalho, o IBGE constatou que, entre motoristas de transporte (exceto táxi) e entregadores, a impossibilidade de conseguir outro emprego figurava como o principal motivador. Flexibilidade e potencial de rendimento superior surgiram como outras justificativas relevantes.
Os ganhos mensais médios dos plataformizados em 2025 somavam R$ 3.147, praticamente idêntico aos não plataformizados (R$ 3.148). Contudo, a dinâmica temporal diferenciou-se: enquanto não plataformizados experimentaram aumento real de 4,1% em relação ao ano anterior, os plataformizados mantiveram-se estáveis, tendo recebido R$ 3.151 em 2024. A principal crítica apresentada diz respeito às jornadas semanais mais extensas associadas a uma remuneração horária inferior.
Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.




