Postura firme ante pressões externas
O titular da pasta da Fazenda, Dario Durigan, reafirmou nesta quarta-feira (10) o compromisso do Brasil em manter sua autonomia política e econômica frente aos desafios internacionais. “O Brasil não abaixa a cabeça para ninguém, e a gente defende a nossa política econômica pelo mundo”, declarou durante evento oficial no Palácio do Itamaraty.
A fala ocorre em momento de tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos, com Washington impondo barreiras tarifárias que afetam produtos brasileiros de exportação. Neste cenário, o governo brasileiro reafirma sua posição de resistência às pressões externas, posicionando-se como ator relevante nas negociações econômicas globais.
Pix como patrimônio estratégico
Durante a abertura da 7ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), cujo tema central é “Da soberania nacional ao protagonismo global”, Durigan destacou o sistema de pagamentos instantâneos como bem fundamental sob controle estatal. Segundo o ministro, o Pix permanecerá sob “estrita governança do Estado brasileiro contra interferências globais”.
O sistema, que se consolidou como referência internacional de inovação financeira e inclusão bancária, recebeu reconhecimento especial ao ser registrado como marca de alto renome no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O presidente Lula participou de solenidade sobre o tema, em momento no qual a administração enfatiza o caráter nacional da plataforma de transações.
A defesa do Pix integra discurso mais amplo do governo sobre preservação de ativos brasileiros. “A primeira demanda, a primeira tarefa que eu tenho é proteger a soberania ao lado do presidente Lula, em especial no nosso Pix”, afirmou o ministro durante o evento.
Reconhecimento internacional e agenda doméstica
Durigan relatou agenda recente em organismos internacionais como Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Mundial, G20 e G7, destacando que a comunidade financeira global reconhece a liderança brasileira em temas econômicos, ambientais e de transição energética. O ministro ressaltou que tal posição exige tratamento baseado em igualdade e respeito entre nações.
Para além de questões de soberania econômica, o titular da Fazenda abordou agendas sociais. Sobre a escala de trabalho 6×1, enfatizou que o modelo perpetua desigualdades ao concentrar sobrecarga nos trabalhadores com menores rendimentos, população negra e mulheres. Em contraste, setores com jornadas mais flexíveis como 5×2 concentram melhores salários e oportunidades educacionais.
Em maio deste ano, a Câmara dos Deputados aprovou proposta de emenda à Constituição (PEC) que elimina a escala 6×1, instituindo obrigatoriedade de dois dias de descanso semanal e redução da jornada de 44 para 40 horas semanais sem corte de rendimentos. O Senado definirá esta semana o cronograma de tramitação da medida.
Durigan também comparou políticas sobre casas de apostas online, indicando que empresas de bets antes operavam com isenções similares às religiosas. Sob gestão atual, tais plataformas enfrentam tributação acima da média setorial, submissão a fiscalização e restrições operacionais. O governo derrubou mais de 30 mil empresas irregulares do setor e proibiu o uso de cartões de crédito para apostas, visando resguardar orçamentos familiares.
Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.
