Mercado reage a tensões geopolíticas
A escalada de conflitos entre Estados Unidos e Irã transformou a sessão da bolsa brasileira nesta terça-feira. Investidores aproveitaram a disparada do petróleo no mercado internacional para aumentar posições em ativos ligados à commodity, resultado em ganhos significativos para o índice principal.
O Ibovespa encerrou o pregão com valorização de 1,3%, atingindo os 179.722,48 pontos. O desempenho marca o melhor nível desde meados de maio, quando a bolsa ultrapassou a marca de 181 mil pontos pela primeira vez em quase quatro meses. O avanço contrasta com o pessimismo nos mercados americanos, onde o S&P 500 recuou 0,71%.
A Petrobras emergiu como grande destaque da sessão. As ações preferenciais da estatal subiram 4,11%, enquanto as ordinárias avançaram 4,14%, refletindo a força do barril no mercado global. O petróleo tipo Brent fechou com ganho de 4,6%, alcançando US$ 94,65, enquanto o WTI subiu 5,2%, chegando a US$ 90,22.
Dólar cai e amplia queda anual
A moeda estadunidense encerrou o dia cotada a R$ 5,153, representando recuo de 0,54% em relação ao fechamento anterior. No acumulado dos últimos oito meses, o dólar acumula baixa de 6,12%. Durante a sessão, a divisa havia chegado a subir para R$ 5,20 após a divulgação do PIB brasileiro, mas perdeu força ao longo da manhã, acompanhando a valorização de outras moedas emergentes e o comportamento do barril.
A trajetória da cotação refletiu a tensão entre dois movimentos opostos no mercado. De um lado, dados econômicos domésticos mostraram desaceleração, alimentando especulações sobre novos cortes na Taxa Selic (juros básicos). De outro, a alta do petróleo beneficiou economias exportadoras da commodity, como o Brasil. No exterior, o índice DXY, que acompanha o dólar contra uma cesta de moedas, subia 0,27%, fechando em 99,681 pontos.
Economia desacelera no segundo trimestre
O crescimento do PIB no segundo trimestre chegou a 0,5%, na comparação com os três meses anteriores, após expansão de 1,1% no período anterior. A economia mostrou sinais de desaceleração, com redução do consumo das famílias e menor dinâmica industrial. Apesar da fragilidade observada, o resultado reforçou as perspectivas de futuros alívios da Selic, atualmente em 14% ao ano.
Além da alta dos papéis da Petrobras, o mercado também repercutiu o anúncio de aumento de 13,9% no preço médio do querosene de aviação pela companhia. Outro fator positivo foi o recorde de produção brasileira de petróleo, que alcançou 4,5 milhões de barris diários em julho, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.
Os números do período evidenciam um paradoxo: enquanto a economia doméstica perde fôlego, os preços internacionais de commodities sustentam o desempenho da bolsa. O mercado estrangeiro, porém, mantém cautela. Na última sessão de agosto, houve saída líquida de R$ 130 milhões em capital estrangeiro, e no acumulado do mês até dia 28, o saldo negativo atingiu quase R$ 18,6 bilhões, indicando movimentação ainda instável de investidores internacionais.
Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.




