Moeda valorizada em dia de estabilidade nos mercados

O real ganhou força nesta terça-feira (21), encerrando o pregão no melhor patamar registrado desde meados de junho. A moeda americana caiu 0,31%, chegando a R$ 5,073, enquanto o índice Bovespa manteve-se praticamente inalterado, com recuo de apenas 0,03% e fechamento nos 173.325,65 pontos.

Dois fatores principais sustentaram a valorização cambial durante o dia. Os juros elevados mantêm investidores estrangeiros direcionando recursos para o Brasil em busca de maiores ganhos, estratégia conhecida no mercado. Simultaneamente, a alta internacional do petróleo fortalece moedas de nações que exportam o produto, categoria na qual o Brasil se insere como fornecedor líquido.

A cotação acumulou redução de 0,73% na semana e 1,73% no mês. No horizonte anual, a desvalorização atinge 7,57%, reflexo da recuperação relativa do real frente às pressões cambiais observadas no primeiro semestre. Entre moedas de mercados emergentes, apenas o peso colombiano superou o desempenho do real no pregão de terça.

Bolsa resiste, mas mantém tendência de queda

Na renda variável, o movimento foi menos expressivo. O principal índice acionário terminou praticamente sem movimento, alternando ganhos e perdas ao longo da sessão e revelando apatia dos investidores. O volume de negócios ficou bastante reduzido, com movimentação de R$ 17,9 bilhões, abaixo da média histórica anual do pregão.

As ações da Petrobras, mais transacionadas da bolsa, capitanearam a defesa do índice acompanhando a pressão altista do petróleo. Os papéis ordinários avançaram 1,43%, enquanto as preferenciais ganharam 1,24%. Apesar dessa contribuição, o índice não conseguiu retomar fôlego e registrou sua quinta sessão consecutiva com recuos, ainda que marginais.

O desempenho doméstico divergiu do exterior. Nos Estados Unidos, os principais índices fecharam em alta, capitaneados por ganhos no setor de tecnologia. A bolsa brasileira, por sua vez, permaneceu sob pressão das incertezas geopolíticas e do baixo interesse dos participantes do mercado.

Petróleo sobe com receios sobre fornecimento global

Os contratos internacionais de petróleo encerraram em forte valorização pela terceira sessão consecutiva. O barril Brent, referência para a produção brasileira, subiu 2% e fechou a US$ 91,01. O WTI texano avançou 2,25%, chegando a US$ 84,34.

A escalada reflete preocupações crescentes sobre interrupções no fluxo global de petróleo. Tensões no Oriente Médio alimentaram o movimento, com destaque para ameaças do grupo Houthi à navegação no Estreito de Bab-el-Mandeb, passagem estratégica pelo Mar Vermelho. Somam-se a isso as tensões recentes entre Estados Unidos e Irã, que elevam o prêmio de risco cobrado pelos operadores do mercado de commodities.

O quadro de instabilidade geopolítica, associado aos bloqueios de rotas críticas para o transporte de petróleo, mantém os preços elevados mesmo diante de sinais de moderação na demanda global. Esse cenário beneficia países exportadores como o Brasil, explicando parcialmente o desempenho do real na sessão.

Os indicadores econômicos domésticos também refletem as dinâmicas globais. Segundo levantamento do mercado, a expectativa de inflação para 2026 foi reduzida para 5,15%, o que pode sinalizar confiança relativa dos agentes econômicos na condução da política monetária, justificando a manutenção dos juros como atrativo para investimento externo.

Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.