Três países, três aberturas para a Copa 2026
Pela primeira vez na história, a Copa do Mundo acontece simultaneamente em três nações. Nessa configuração inédita, cada país recebeu sua própria cerimônia de abertura. O México sediou a primeira, na quinta-feira (11), enquanto Canadá e Estados Unidos realizam suas solenidades nesta sexta-feira (12).
Espetáculo na Cidade do México
O Estádio Azteca — agora denominado Estádio Banorte — acolheu mais de 85 mil espectadores no evento que ocorreu às 11h30, sob temperatura de 24 graus. O estádio histórico, que já havia abrigado as aberturas de 1970 e 1986, voltava a sediar um momento memorável do futebol mundial.
A apresentação inicial trouxe bailarinos caracterizados como povos originários — astecas, maias, olmecas e toltecas — que dançaram sobre um tapete azul-claro cobrindo o gramado. Ao redor de uma réplica monumental da taça da Fifa, os performers homenageavam as civilizações ancestrais mexicanas em ritual simbólico.
A cantora mexicana Lila Downs marcou momento significativo ao subir pela estrutura que acessava a taça no centro do campo. Em inglês, proclamou: “football unites all”, repetindo a mensagem em espanhol: “fútbol nos une a todos”.
Múltiplas apresentações musicais
O palco transformou-se em sequência de apresentações celebrando a música latina. A banda mexicana Maná abriu as atrações, seguida pelo artista venezuelano Danny Ocean. A espanhola Belinda dividiu o palco com Los Ángeles Azules, formação fundamental da música latino-americana.
O colombiano J. Balvin, entre os artistas latinos mais vendidos globalmente, fez entrada diferenciada por meio de estrutura cenográfica móvel. Pouco depois, Shakira percorreu o tapete azul acompanhada por múltiplas bailarinas e do nigeriano Burna Boy, interpretando “Dai Dai”, música-tema do torneio que busca replicar o alcance de “Waka Waka”, composição da Copa da África do Sul em 2010.
Efeitos visuais intensificaram a experiência: fumaça nas cores verde e vermelho preencheu o estádio. O tapete azul foi removido, revelando um globo terrestre no círculo central. Subsequentemente, porta-bandeiras representando as 45 seleções participantes desfilaram, finalizando com os estandartes dos três países anfitriões.
O tenor italiano Andrea Bocelli proporcionou ponto culminante ao duetarem com a artista coreana EJAE, criando momento de grande impacto emocional.
Protesto discreto e cerimônia oficial
A presidente mexicana Claudia Sheinbaum não compareceu à cerimônia, decisão anunciada desde maio como demonstração de solidariedade aos compatriotas impedidos de participar por razões financeiras. O presidente da Fifa, Gianni Infantino, e a atriz mexicana Salma Hayek — indicada ao Oscar pelo filme Frida — declararam aberta a competição.
Durante entrada das seleções do México e África do Sul, cantores dessas nacionalidades executaram os hinos. Tyla, popstar sul-africana vencedora de Grammy em 2024 e 2026, interpretou o hino sul-africano, enquanto Alejandro Fernández, conhecido como “El Potrillo” e intérprete tradicional de boleros e música ranchera, entoou a marcha militar mexicana que designa cada mexicano como “um soldado” pronto para defender a Pátria. O público respondeu com ovação espontânea e imediata.
O confronto inaugural foi apitado pelo árbitro brasileiro Wilton Pereira Sam.
Contexto: A edição 2026 ocorre em contexto de tensões diplomáticas, incluindo a deportação de um árbitro somali, interrogatório prolongado na imigração de um jogador iraquiano, restrições à hospedagem da delegação do Irã e negativas de visto para turistas que desejavam acompanhar os jogos nos Estados Unidos.
Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.
