Protesto marca lançamento de operação de fiscalização

Vendedores ambulantes de diversos bairros do Rio de Janeiro tomaram as ruas em frente à sede do governo municipal nesta quarta-feira (8) para contestar as iniciativas anunciadas de intensificação do ordenamento nas praias da zona sul. A manifestação, com cartazes reivindicativos, marca o início de operações de fiscalização permanente previsto para 16 de julho em Leme, Copacabana, Ipanema e Leblon.

A prefeitura justifica a iniciativa como combate à estruturas criminosas que exploram comercialmente espaços de uso público. O Programa Tolerância Zero contra a Exploração Irregular do Espaço Público visa desarticular atividades ligadas ao crime organizado, conforme explicado pela administração municipal. O secretário de Ordem Pública, Marcus Belchior, ressaltou que as operações contarão com patrulhamento constante e ações conjuntas com órgãos de segurança, com apreensão de produtos irregulares e fechamento de depósitos ilegais como medidas previstas.

Camelôs criticam associação com criminalidade

Os manifestantes questionam a generalização que associa toda a categoria ao crime organizado. Segundo relatos coletados durante o ato, a pretensão é que apenas responsáveis por irregularidades sejam penalizados, não trabalhadores de boa conduta. Marcos da Silva, que atua como vendedor em Copacabana há mais de duas décadas, afirma desconhecer cobranças de taxa por elementos criminosos para exercer a profissão no local, contestando essa narrativa.

A situação se agrava para quem aguarda regularização. Silva menciona que muitos profissionais carregam protocolos desde 2001 sem conseguir legalização. Jéssica Bárbara Cavalcanti, que vende roupas perto da Escadaria Selarón na Lapa, relata estar sem renda há cerca de 20 dias devido às operações recentes na região. Mãe de três filhos, ela destaca a dificuldade em obter respostas administrativas para regularizar sua situação.

Maria de Lourdes do Carmo, coordenadora do Movimento Unido dos Camelôs, concorda sobre a necessidade de fiscalização mas defende que a prefeitura acelere o processo de autorização de trabalhadores que aguardam há anos. Ela menciona haver cadastrados desde 2009 na fila de espera. Segundo sua avaliação, autorizar vendas por inscrição individual evitaria o controle empresarial de múltiplos pontos com mão de obra irregular.

O grupo solicitou encontro direto com o prefeito Eduardo Cavaliere para discutir o tema, recusando intermediações com secretários. Cavaliere, durante o anúncio do programa, afirmou que o objetivo é combater a exploração ilegal por criminosos, destacando que atividades econômicas em espaço público dependem de legalização prévia. Marcus Belchior complementou informando que mais de mil pontos de venda irregulares foram identificados nas quatro áreas onde a fiscalização será implantada.

O impasse reflete a tensão entre políticas de ordenamento urbano e as demandas de trabalhadores informais que alegam aguardar há anos pela formalização de suas atividades. O diálogo anunciado entre movimento e gestão municipal pode indicar os próximos passos na questão.

Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.