Denúncias de segurança na rodovia
A rodovia Rio-Santos voltou a ser tema de tensão entre autoridades locais e a concessionária responsável pela via. Na terça-feira (16), vereadores e lideranças da Costa Verde fluminense expuseram à Comissão de Integração Nacional e Desenvolvimento Regional da Câmara dos Deputados um conjunto de fragilidades que afetam a segurança dos usuários.
Representantes de Angra dos Reis e Paraty apontaram situações que consideraram preocupantes: iluminação inadequada ao longo do trajeto, deterioração dos abrigos para passageiros de ônibus e cobranças incorretas no pedágio automático. O cenário que emergiu da discussão revelou uma via que, apesar de ser fundamental para a região, enfrenta desafios básicos de infraestrutura.
A negligência na manutenção da vegetação destacou-se como uma das questões mais graves. Neste ano, um episódio trágico ilustrou o risco: três membros de uma mesma família faleceram quando uma árvore caiu sobre a rodovia. O incidente evidenciou a urgência de ações preventivas.
Cronograma de melhorias sob questionamento
A Motiva, concessionária que opera a via desde 2022, apresentou seu plano para abordar a questão da vegetação. De acordo com Otávio Melo, representante da empresa, a intenção é remover 2.800 árvores até o primeiro trimestre de 2027. Porém, o ritmo de execução não satisfez os vereadores locais.
Laion Campos, vereador de Paraty, expressou frustração com os prazos estabelecidos. Indagou quando a concessionária garantiria iluminação adequada, pontos de parada corretos para ônibus e, principalmente, questionou um cronograma que se estende até 2033. Sua preocupação refletiu a ansiedade de gestores municipais diante do tempo decorrido sem respostas definitivas.
Os bloqueios temporários da via, utilizados como resposta a deslizamentos de encostas, também geraram crítica. O deputado Aureo Ribeiro, autor do requerimento que originou a audiência, questionou por que a concessionária opta por interdições pontuais em vez de investir em obras permanentes de estabilização.
Empresa responde sobre estratégia operacional e entraves regulatórios
Rodolfo Borrel, gerente de operações da Motiva, esclareceu que as interdições integram um protocolo de segurança elaborado em conjunto com as defesas civis locais. Conforme explicou, duas consultorias monitoram condições climáticas em 27 segmentos da rodovia, acionando o fechamento preventivo quando a chuva acumulada aproxima-se de 100 milímetros em um período de 24 horas.
A empresa também informou investimentos emergenciais realizados fora do contrato original. Segundo Melo, 350 milhões de reais foram aplicados de forma imediata para estabilizar encostas após os temporais severos de 2022. O contrato vigente prevê aportes totalizando R$ 25,8 bilhões, incluindo a expansão da via para quatro faixas em cada direção.
Um obstáculo relevante foi identificado: a ampliação das obras depende do aval do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Melo apontou que tanto na Via Dutra quanto na Rio-Santos, as operações encontram-se suspensas aguardando licenciamento ambiental. O processo entrou em fase de audiência pública para obtenção da licença e desbloqueio das atividades construtivas.
Fernando Bezerra, superintendente da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), informou que as questões levantadas no debate integram discussões contínuas da agência com organizações da sociedade civil da região. Esses diálogos fornecerão subsídios para a revisão quinquenal do contrato, prevista para conclusão em 2027. O instrumento contratual, assinado em 2022 com duração de três décadas, prevê avaliações obrigatórias a cada cinco anos. Bezerra destacou ainda que os contratos sob supervisão da ANTT estão sendo reformulados para fortalecer a resiliência em relação a eventos climáticos extremos.
Com informações da Agência Câmara. Veja a publicação original.




