Novo imunizante no calendário infantil
O Brasil incorporará ao Sistema Único de Saúde a vacina pneumocócica 20-valente nas unidades básicas de saúde a partir da segunda quinzena de junho. O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que indicou a data provável de 15 de junho para o início da campanha.
O novo imunobiológico protege contra 20 variantes da bactéria Streptococcus pneumoniae, responsável por doenças graves como pneumonia bacteriana, meningite e sepse. Na rede privada, o custo da dose ultrapassa R$ 500. Será a quarta vacina incorporada para o público infantil durante a atual administração da pasta.
Segundo o ministério, todos os procedimentos técnicos já foram concluídos e a distribuição das primeiras 514 mil doses iniciou-se nos estados e municípios. O governo federal prevê colocar em circulação mais de 6,1 milhões de doses até o final de 2026.
Expansão de cobertura contra sorotipos prevalentes
A nova formulação substitui a vacina 10-valente, dobrando os sorotipos cobertos. O diferencial repousa na proteção ampliada contra variantes que causam pneumonia invasiva com maior frequência, particularmente os tipos 3, 6A e 19A. Também oferece defesa contra otite média, inflamação auditiva que pode resultar em perda permanente da audição ou infecção sistêmica.
Dados ministeriais indicam que aproximadamente 40% dos casos graves registrados entre 2018 e 2023 foram originados por apenas dois tipos bacterianos não prevenidos pela formulação anterior, porém agora inclusos na versão 20-valente. A doença pneumocócica constitui, conforme a Organização Mundial da Saúde, a principal causa de morte infantil por enfermidade evitável em escala global.
Quadro epidemiológico e histórico vacinal
Entre 2023 e 2025, foram notificados 4,6 mil casos de meningite pneumocócica no país, com 1,4 mil óbitos. Na população infantil menores de 5 anos, contabilizaram-se 616 casos e 188 mortes no mesmo intervalo. A taxa de mortalidade em casos graves de meningite por pneumococo aproxima-se de 30%.
O imunizante 10-valente integra o calendário básico infantil desde 2010. Sua adoção resultou em redução de 60% das infecções pneumocócicas invasivas e 65% de meningite pneumocócica em menores de dois anos. Contudo, a tendência reverteu nos últimos anos. Entre 2013 e 2019, registraram-se em média 164 casos anuais de meningite pneumocócica em crianças de até 5 anos. De 2022 a 2024, a média elevou-se para 211,3 casos anuais.
A doença infecciosa pode manifestar-se em formas leves, como inflamação do ouvido ou sinusite, ou em quadros severos como infecção generalizada. Estima-se que o pneumococo figure em até 50% dos episódios de meningite bacteriana em crianças.
O processo de vacinação será escalonado conforme os municípios receberem os lotes, com foco inicial nas crianças de até cinco anos, além de povos indígenas maiores de 5 anos sem histórico vacinal anterior com imunizantes pneumocócicos conjugados.
Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.
