Expansão do programa de atendimento remoto
O Ministério da Saúde planeja fortalecer, ainda em 2026, a oferta de atendimentos remotos via ligações telefônicas e videochamadas para cidadãos enfrentando dificuldades com dependência em jogos de apostas. A iniciativa envolve a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do Sistema Único de Saúde (AgSUS), responsável por selecionar e contratar organizações especializadas para disponibilizar acompanhamento sem custo aos pacientes.
O programa de teleatendimento teve seu lançamento em março deste ano por intermédio de uma colaboração com o Hospital Sírio-Libanês. Decorridos apenas noventa dias, a plataforma já registra mais de 6,9 mil pessoas vinculadas. A expansão desta modalidade de assistência demandará aproximadamente R$ 70 milhões em desembolsos até o encerramento de 2026, integrando um conjunto maior de iniciativas focadas em prevenção, qualificação de profissionais e universalização do acesso aos atendimentos da Rede de Atenção Psicossocial (Raps), estruturada pelo ministério este ano especificamente para potencializar o cuidado com indivíduos acometidos por problemas relacionados a apostas.
Pesquisa nacional e investimentos em conhecimento
Além dos gastos com expansão do teleatendimento, a pasta destinará R$ 6 milhões para financiar um levantamento inédito em âmbito nacional. O estudo buscará compreender de que forma os jogos e apostas repercutem no bem-estar dos brasileiros, identificando os públicos mais vulneráveis e os principais agravos relacionados à atividade.
Com dados em mãos, a administração pública terá base mais sólida para estruturar políticas e ações de atendimento e prevenção dentro do sistema público de saúde.
Financiamento e origem dos recursos
Parte substancial dos investimentos virá dos R$ 45,7 milhões transferidos ao Ministério da Saúde em 2025 como contribuição social proveniente do setor de apostas. Esse montante corresponde a 1% da arrecadação total resultante de impostos pagos pelas operadoras e apostadores.
No ano anterior, a arrecadação total atingiu R$ 4,5 bilhões, distribuído conforme determinações da Lei nº 14.790/2023 entre diversos setores: saúde (1%), educação (10%), turismo (28%), esportes (36%), segurança pública (13,6%), seguridade social (10%) e outras aplicações (1,4%). Pela legislação vigente, toda verba transferida à pasta de saúde deve ser empregada em ações de prevenção, gerenciamento e redução de consequências sociais advindas da prática de jogos.
Consultado sobre se os R$ 45,7 milhões conseguem cobrir o incremento de despesas do sistema público com o aumento de demandas por assistência a pessoas com dificuldades com apostas, o ministério relatou não ter capacidade de calcular isoladamente esses custos, visto que os atendimentos se somam a outros serviços de média e alta complexidade da Raps que custaram aproximadamente R$ 2,5 bilhões apenas em 2025. Mesmo assim, a pasta afirmou que “a destinação social representa uma fonte relevante de financiamento, complementada com recursos do orçamento próprio da pasta”.
Como acessar o serviço
Interessados em utilizar o teleatendimento em saúde mental oferecido pelo SUS devem se registrar através do aplicativo Meu SUS Digital. Após o cadastro, o uso do serviço requer baixar o app, acessível gratuitamente via lojas Android, iOS ou navegador web, e autenticar-se com conta Gov.br ou usar credencial já existente.
A plataforma fornece materiais informativos sobre indicadores de risco, formas de prevenção e consequências dos jogos para a saúde mental, além de disponibilizar um teste de autoavaliação validado por profissionais. Usuários que obtiverem resultado indicativo de risco moderado ou elevado são encaminhados automaticamente para o teleatendimento. Aqueles com risco menor recebem orientação para buscar atendimento qualificado em Centros de Atenção Psicossocial (Caps) ou Unidades Básicas de Saúde (UBS).
A ampliação do programa reflete crescente preocupação do governo com a dependência em apostas. Estudos recentes indicam que milhões de brasileiros bloquearam voluntariamente sua participação em plataformas de apostas, sinalizando demanda por intervenções estruturadas. O investimento em pesquisa epidemiológica deverá esclarecer as dimensões do problema e subsidiar políticas futuras de alcance ainda maior.
Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.
