Crescimento acelerado e desafios de financiamento

A Embrapii registra expansão robusta em suas operações, mas enfrenta entraves relacionados à garantia de recursos para manter o ritmo de crescimento. O executivo Alvaro Prata, presidente da instituição, apontou na terça-feira (19) a necessidade de maior previsibilidade orçamentária para sustentar os compromissos firmados com unidades credenciadas e empresas parceiras.

Apresentando dados sobre o desempenho recente da organização, Prata informou que o volume de projetos contratados cresceu significativamente. De 647 iniciativas em 2024, o número subiu para 821 em 2025, com projeção de atingir mil contratos ainda neste ano. Os investimentos acompanharam esse movimento: apenas em 2025, os projetos somam cerca de R$ 1,5 bilhão, sendo que a Embrapii aporta aproximadamente um terço do total, compartilhando riscos tecnológicos com os parceiros industriais.

Prata participou como painelista do seminário “O Modelo de Organizações Sociais para fomento de políticas públicas: Atualidade, Aprendizados e Caminhos de aperfeiçoamento”, realizado no contexto das comemorações dos 25 anos do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE). O evento contou também com Mariano Laplane, assessor especial da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), na coordenação da mesa, e com João Fernando Oliveira, empresário e professor aposentado da Universidade de São Paulo.

Modelo de atuação e alcance da instituição

Na avaliação do presidente, a operação da Embrapii segue um modelo que combina descentralização com supervisão. As unidades credenciadas funcionam como especialistas que atendem necessidades tecnológicas do setor produtivo, sejam desafios imediatos ou inovações em desenvolvimento. A instituição, por sua vez, assegura o cumprimento de diretrizes gerais e acompanha resultados, enquanto as unidades negociam diretamente com empresas e definem contratações.

A amplitude de atuação é abrangente. “Desde que você tenha um CNAE industrial, pode ser parceiro da Embrapii se a demanda envolver tecnologia”, explicou Prata, ressaltando que o modelo não se restringe a setores ou portes específicos. Ele também reforçou o papel estratégico da instituição como mediadora entre o conhecimento científico e as demandas do setor industrial, levando soluções inovadoras para empresas brasileiras.

O crescimento da Embrapii, em média de 30% ao ano nos últimos cinco anos, evidencia a receptividade do modelo. Contudo, Prata sublinhou que a expansão depende de garantias orçamentárias. “Para dar segurança às Unidades e permitir que elas continuem contratando projetos quando a indústria apresentar demandas é preciso ter condições de honrar os compromissos. O desafio é garantir recursos desde o início do ano e previsibilidade orçamentária”, afirmou.

Para ampliar suas capacidades, a Embrapii mantém contrato de gestão com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e opera em cooperação com organismos como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), além de articulações com outros ministérios. Embora essas parcerias expandam o alcance, cada uma traz exigências próprias em termos de conformidade e prestação de contas. “O sistema brasileiro e o regramento jurídico muitas vezes engessam. Cada vez que ampliamos parceiros, ampliamos também as exigências e particularidades na gestão desses recursos”, observou.

Apesar dos obstáculos regulatórios e orçamentários, Prata avaliou que a organização segue preparada para operar nesse contexto. A discussão em seminário sobre modelos de organizações sociais para políticas públicas reflete debates mais amplos sobre como estruturas desse tipo podem ser aprimoradas para melhor atender às necessidades de inovação industrial no Brasil.

Com informações da Embrapii. Veja a publicação original.