Inovação sem dor muda procedimentos estéticos
Uma técnica desenvolvida pela Unidade Embrapii do Instituto de Física de São Carlos, ligada à USP, permite introduzir ácido hialurônico na pele sem necessidade de agulhas. O método combina pulsos de laser com ondas de choque para favorecer a penetração do produto em camadas mais profundas da derme, mantendo segurança e conforto total.
O procedimento funciona de forma simples: o ácido hialurônico é aplicado topicamente na região a tratar, e em seguida um equipamento movimenta-se suavemente sobre a pele. Os pulsos laser convertem-se em ondas de choque que criam pressão controlada, permitindo a permeação da substância sem qualquer perfuração ou incômodo. Testes clínicos realizados com 50 mulheres com idades entre 35 e 80 anos documentaram melhoras significativas na hidratação, na textura cutânea e na redução da aparência de rugas.
Segurança e bem-estar em primeiro plano
Segundo Fernanda Mansano Carbinatto, pesquisadora responsável pelo projeto, o avanço elimina uma das principais barreiras psicológicas dos tratamentos convencionais. “Eliminamos o medo da agulha e os riscos associados aos procedimentos invasivos. As pacientes relataram conforto absoluto, sem dor ou intercorrências, além de resultados visíveis na qualidade da pele”, afirma. A pesquisadora destaca que a equipe foi montada com sensibilidade, composta majoritariamente por mulheres, com objetivo de acolher e oferecer experiência que transcenda apenas a dimensão estética.
Vanderlei Bagnato, coordenador do projeto, reforça a importância da diversidade nas equipes científicas para gerar soluções efetivas. “Este projeto mostra como equipes diversas e sensíveis podem criar tecnologias transformadoras, que impactam diretamente o bem-estar e a saúde”, comenta. A ideia germinou a partir de observações do empresário Anderson Luis Zanchin, fundador da Napid Pesquisa e Desenvolvimento, sobre a aversão que muitos pacientes sentem por tratamentos injetáveis. “Tem gente que vê agulha e sai correndo. Além disso, muitos procedimentos estéticos apresentam intercorrências por serem injetáveis. Nossa ideia foi criar uma solução que eliminasse esses riscos, oferecendo ao mercado uma alternativa segura, eficaz e totalmente indolor”, explica.
As aplicações da tecnologia ultrapassam o escopo cosmético. Pesquisadores apontam potencial para usos em dermatologia clínica e até em terapias para câncer de pele, ampliando significativamente o espectro de utilização. O desenvolvimento contou com investimentos da Napid, do Sebrae, da Embrapii e da própria Unidade IFSC-USP.
A Embrapii atua como intermediária entre centros de pesquisa e empresas, compartilhando custos de inovação através de aportes não reembolsáveis em projetos que levem novos produtos ao mercado. A organização opera sob contrato de gestão com o Governo Federal, envolvendo Ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação, Educação, Saúde e Desenvolvimento, além de parcerias com Sebrae e BNDES.
Com informações da Embrapii. Veja a publicação original.
