O Cinema da Universidade de São Paulo apresenta uma seleção que coloca em xeque a busca tradicional pela verossimilhança. A mostra “Mundos de Plástico”, em cartaz até o final de junho, reúne dezesseis longas-metragens que fizeram da irrealidade não um desvio, mas uma escolha narrativa fundamental.

Os filmes selecionados compartilham uma proposta comum: em vez de espelhar o cotidiano, constroem universos explicitamente fabricados. A opção estilística privilegia o artificial, o manufaturado, o transparentemente construído — uma recusa ao ilusionismo que marca parte considerável da produção cinematográfica contemporânea.

O ciclo funciona como investigação sobre como a linguagem audiovisual se comporta quando abdica da pretensão realista. Cada obra da programação exemplifica diferentes estratégias para deslocar o espectador de uma zona de conforto estética, usando recursos que reafirmam, constantemente, a própria condição de artefato.

A temática alinha-se com discussões mais amplas sobre a representação visual na era digital, momento em que tecnologias de síntese de imagens ganham sofisticação e quando a produção audiovisual flerta cada vez mais com o fantástico e o especulativo.

Com curadoria voltada para esse recorte específico, a mostra oferece ao público uma oportunidade de reconhecer padrões na forma como cineastas contemporâneos lidam com a construção de mundos ficcionais, especialmente aqueles que dispensam o véu do realismo como recurso de imersão.

Contexto

A programação evidencia tendências em ascensão no audiovisual global, refletindo uma geração de cineastas para quem a autossuficiência da imagem digital abre novas possibilidades poéticas. O ciclo permanece aberto a visitantes até 28 de junho.

Com informações da Jornal da USP. Veja a publicação original.