Tecnologia em desenvolvimento
Um sensor de radar desenvolvido por pesquisadores brasileiros promete equipar os automóveis fabricados a partir de 2029 com sistemas de frenagem automática. A iniciativa congrega universidades, centros de pesquisa e montadoras em torno de uma tecnologia conhecida como Adas — sigla que designa Sistemas Avançados de Assistência ao Motorista.
O projeto, conduzido pelo Senai PE no complexo de Suape, em Pernambuco, mobiliza um aporte de R$ 44 milhões. Entre os parceiros figuram a Universidade Federal de Pernambuco e a Universidade de Brasília, além de fabricantes como Volkswagen e Stellantis, grupo controlador de marcas como Fiat, Jeep, Peugeot e Citroën.
A proposta de tornar o Adas obrigatório encontra-se sob análise do Conselho Nacional de Trânsito, órgão subordinado ao Ministério dos Transportes. O processo já passou por avaliação em câmaras temáticas e consulta pública, aguardando deliberação final.
Como funciona a segurança integrada
O mecanismo combina duas tecnologias complementares para identificar riscos iminentes. O radar detecta objetos próximos, medindo com precisão a distância e a velocidade dos obstáculos, enquanto câmeras fornecem informações sobre a natureza daquilo que está à frente — seja um veículo, uma pessoa ou outro impedimento qualquer.
Segundo Oziel Alves, diretor de Inovação e Tecnologia do Senai-PE, essa integração de dados potencializa a confiabilidade do sistema. “Com essas duas informações integradas, o sistema consegue avaliar o risco de colisão de forma mais completa e tomar, de maneira autônoma, a decisão de acionar a frenagem automaticamente”, afirma. O processo recebe a designação técnica de “percepção e fusão sensorial”.
As instalações de Suape contarão com recursos de inteligência artificial e gêmeos digitais — simulações virtuais que replicam sistemas reais —, permitindo acelerar a validação de protótipos sem depender exclusivamente de testes físicos em larga escala.
Redução da dependência tecnológica
A iniciativa responde a um objetivo estratégico: diminuir a vulnerabilidade do país em relação a importações de tecnologias críticas. Ao dominar a produção de sensores de radar, o Brasil amplia sua capacidade de desenvolvimento independente, forma profissionais especializados e consolida uma engenharia mais robusta no setor automotivo.
Alves destaca ganhos diretos para a indústria nacional, incluindo “maior autonomia para desenvolvimento, redução gradual dos custos associados à importação e aumento da competitividade das montadoras e fornecedores locais”. Bruno Veloso, presidente da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco, reforça que a convergência entre fabricantes e instituições de pesquisa torna possível enfrentar “os nossos desafios”.
O projeto representa uma aposta no ecossistema de inovação pernambucano, consolidando Suape como polo de desenvolvimento tecnológico para o segmento automotivo. Com a obrigatoriedade prevista para 2029, a decisão final do Contran determinará o ritmo de adoção dessa tecnologia no mercado doméstico.
Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.
