Governo estuda medidas de reciprocidade contra taxação americana

O Brasil não descartará as negociações com os Estados Unidos apesar da imposição de tarifas anunciada nesta semana. A declaração partiu do Ministro da Fazenda, Dario Durigan, em coletiva de imprensa na capital paulista nesta sexta-feira (17).

Durigan deixou claro que o governo federal examina, em parceria com empresários, a possibilidade de adotar medidas defensivas. Destacou, porém, que a palavra “retaliação” não reflete a abordagem adotada. Segundo ele, “não cabe falar em retaliação, essa é uma palavra que está fora do nosso escopo”.

O ministro explicou que o Congresso Nacional, de forma unânime, endossou um arcabouço legislativo destinado a salvaguardar interesses brasileiros em situações de agressão comercial injustificada ou unilateral. “Estamos avaliando com cautela o processo de reciprocidade que o Congresso nos ofereceu para que a gente leve ao presidente. Isso não está sendo feito de maneira açodada”, detalhou.

Brasil argumenta que tarifa não tem justificativa técnica

A administração americana adotou alíquotas de 25% sobre produtos brasileiros. Para Durigan, essa medida é economicamente injustificável. Ele reforçou a postura de que o país seguirá buscando diálogo construtivo. “Em grande medida, como não têm um contra-argumento, nos parece que do ponto de vista econômico do debate, o Brasil tem razão. Então, como temos razão, a gente não pode baixar a cabeça”.

O ministro citou um desequilíbrio comercial entre as nações. Atualmente, a balança comercial favorece os norte-americanos, com brasileiros e empresas nacionais gerando superávit para aquele país. Durigan utilizou esse dado para reforçar seu argumento: sob a própria lógica defendida por Washington, a tarifa dirigida ao Brasil “não faz sentido”.

Durigan acusou a gestão Trump de descartar qualquer discussão segmentada com setores afetados. A decisão foi caracterizada como “uma espécie de punição geral ao Brasil”. O fundamento alegado pelos norte-americanos — práticas comerciais inadequadas — foi contestado pelo ministro como sendo baseado em argumentos “totalmente falsos”. Ele sugeriu que as acusações podem estar ancoradas em informações sobre administrações anteriores.

Pix não está em pauta nas negociações

Um tema específico que ganhou relevância nas tensões comerciais é o Pix, a plataforma brasileira de transferência instantânea de recursos. Washington considera a ferramenta uma ameaça aos interesses comerciais bilaterais.

Durigan refutou essa alegação com veemência. O Pix, conforme sua visão, representa infraestrutura pública brasileira e não um competidor privado. Trata-se de um sistema aberto que expandiu o volume de transações no país, englobando operações com cartão e movimentações à vista. A classificação americana de prática desleal foi descrita pelo ministro como “um completo absurdo”. Ele deixou evidente: “O Pix não está em negociação. Ele vai ser preservado como um serviço público oferecido aos brasileiros”.

O ministro afirmou que o país mantém capacidade de blindar sua população de consequências externas, citando como exemplo a gestão dos combustíveis. Ele ressaltou igualmente que continuará levando ao lado norte-americano, “com respeito”, a insatisfação brasileira e os argumentos técnicos que sustentam a posição nacional. “O esforço não deixará de ser feito. Assim que tiver a oportunidade, eu vou levar essa insatisfação e nossos argumentos para dizer o quanto isso é prejudicial para a relação bilateral”.

A situação coloca em evidência o conflito comercial entre os dois países no contexto de uma disputa mais ampla envolvendo políticas tarifárias globais. Enquanto os próximos meses se desenrolam, as negociações permanecerão como canal central para desfecho dessa tensão bilateral.

Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.