Tarifas e controvérsia comercial
A partir desta quarta-feira (22), produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos sofrem majoração tarifária de 25%, imposta unilateralmente por Washington sob alegação de práticas comerciais desleais. Em perspectiva ainda mais desafiadora, aguarda-se publicação de sobretaxa adicional de 12,5% na próxima sexta-feira (24), conforme indicou o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Fernando Elias Rosa, à imprensa.
Segundo o titular da pasta, existe possibilidade de essas cobranças funcionarem de forma cumulativa, o que elevaria o patamar total para 37,5%. O governo americano fundamenta a primeira rodada de aumentos em questões ligadas ao desmatamento, corrupção e, entre outros pontos, ao funcionamento do Pix no país.
A segunda rodada de taxação, conforme investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), concentra-se em alegações de que o Brasil não implementa proibições efetivas contra a importação de itens produzidos mediante trabalho forçado. O relatório examina 59 nações e o bloco europeu sob o mesmo critério.
Argumentação brasileira e reconhecimento internacional
A posição do Itamaraty e do governo federal rejeita veementemente as acusações norte-americanas. Brasília sustenta que os acordos internacionais dos quais participa já contêm cláusulas proibitivas sobre importação de bens gerados sob coerção laboral. O documento do USTR, porém, contesta essa interpretação, afirmando que tais compromissos carecem de força legal vinculante internamente.
Em resposta, o Brasil apontou à Casa Branca seu ordenamento jurídico e capacidade institucional de fiscalização nas fronteiras, argumentando que as autoridades aduaneiras dispõem de legitimidade legal para bloquear entrada e apreender mercadorias suspeitas. A administração federal classificou a medida americana como “protecionista”, destinada a beneficiar setores domésticos norte-americanos em detrimento da concorrência internacional.
Um dos argumentos mais robustos levantados por Brasília reside no reconhecimento histórico concedido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). O Brasil figura como referência internacional no enfrentamento ao trabalho forçado, segundo avaliação da agência especializada vinculada à ONU, mérito atribuído a mecanismos de fiscalização rigorosa, responsabilização de infratores e articulação entre órgãos públicos. O Decreto 12.857, editado em fevereiro deste ano, formalizou a adesão do país à Convenção nº 29 da OIT, que trata especificamente da matéria. Paradoxalmente, entre os 187 países membros da organização, apenas seis não ratificaram o instrumento—figurando entre eles os próprios Estados Unidos.
O governo federal denunciou o desvio de finalidade da discussão sobre dignidade laboral ao servir de justificativa para medidas unilaterais e consideradas injustas, anunciando a intenção de recorrer à Lei de Reciprocidade como mecanismo de resposta comercial.
Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.


