Contração inesperada no mês
O segmento de serviços registrou retração de 0,4% em maio, surpreendendo negativamente as expectativas do mercado. A Secretaria da Política Econômica (SPE), vinculada ao Ministério da Fazenda, confirmou o resultado, que ficou abaixo da faixa prevista pelos analistas (entre -0,3% e 0,6%, com mediana em zero).
O desempenho negativo concentrou-se principalmente em transportes, segmento que responde por aproximadamente um terço do peso total da pesquisa. Conforme destacou o analista Rodrigo Lobo, houve redução nas receitas de companhias aéreas de passageiros, além de queda em transporte rodoviário de cargas e operações logísticas.
Em números absolutos, o volume de deslocamento de passageiros caiu 1,3% na comparação mensal, enquanto o transporte de mercadorias apresentou contração de 0,2%. Essa dinâmica foi determinante para o resultado global negativo do setor.
Quadro heterogêneo entre atividades
A análise detalhada dos cinco grupos de atividades monitorados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela cenários distintos. Enquanto serviços profissionais, administrativos e complementares expandiram 2%, e serviços prestados às famílias cresceram 0,2%, tanto transportes quanto outras atividades de serviços registraram quedas.
O segmento de serviços às famílias atingiu seu melhor patamar desde dezembro de 2014, fenômeno que Lobo atribui a fatores econômicos favoráveis, como desemprego reduzido, elevada massa de rendimentos disponíveis e inflação controlada. Serviços de informação e comunicação permaneceram estáveis, sem variação no período.
Comparando com igual mês de 2025, o setor acumulou crescimento de 0,4%. No recorte de janeiro a maio, o avanço chegou a 1,9% relativamente ao mesmo período do ano anterior. Nos últimos doze meses, a expansão acumulada ficou em 2,6%, representando desaceleração frente aos 2,9% registrados em abril.
Turismo e recuperação pós-pandemia
O índice de atividades turísticas recuou 0,4% em maio comparado ao mês precedente, porém mantém expansão de 1,7% em base anualizada. O segmento, que reúne 22 das 166 atividades de serviços investigadas (hotéis, agências, bufês e transporte aéreo de passageiros), situa-se 10,8% acima dos patamares pré-pandemia (fevereiro de 2020).
O setor de serviços como um todo permanece 19,6% acima do nível pré-covid, embora 0,5% abaixo do pico histórico registrado em outubro de 2025. Os dados divulgados nesta quarta-feira (15) pelo IBGE incorporam informações de 17 unidades federativas e fazem parte da série histórica iniciada em 2011.
A evolução dos últimos meses mostra volatilidade: após crescimento de 1,1% em abril e queda de 0,9% em março, maio consolidou o movimento de contração. O comportamento heterogêneo entre segmentos sugere ajustes estruturais em curso no setor de serviços, que responde por parcela significativa da atividade econômica nacional.
Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.
