Inflação volta a subir nas expectativas do mercado
O setor financeiro voltou a elevar suas estimativas para a inflação brasileira nesta semana. Conforme o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central, a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) — termômetro oficial da inflação — alcançou 5,11% para 2026, ante 5,09% na semana anterior.
O desempenho marca a décima terceira elevação consecutiva das expectativas inflacionárias. A tendência extrapola o limite máximo estabelecido como meta pela autoridade monetária, acendendo sinais de alerta sobre o controle dos preços.
Combustíveis e tensão geopolítica pressionam os preços
Analistas apontam dois fatores principais por trás do cenário: a escalada de tensões no Oriente Médio provocando encarecimento de combustíveis e, internamente, a forte pressão exercida pelos alimentos nos meses recentes. Em abril, o IPCA oficial fechou em 0,67%, puxado especialmente por itens da cesta alimentar. Nos últimos 12 meses, a inflação acumulada chegou a 4,39%, ainda dentro do teto permitido.
A meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3% com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual — ou seja, o intervalo aceitável varia de 1,5% a 4,5%. As projeções atuais do mercado já ficam além desse limite superior.
Para os próximos anos, a expectativa é de desaceleração. Em 2027, o mercado projeta inflação de 4,03%, reduzindo para 3,65% em 2028 e 3,5% em 2029.
Banco Central mantém vigilância sobre taxa de juros
O Banco Central utiliza a taxa Selic (taxa básica de juros) como seu principal instrumento para combater a inflação. Atualmente fixada em 14,5% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom), a Selic foi reduzida em 0,25 ponto percentual na reunião de abril — segunda queda seguida, apesar das tensões internacionais.
Entre junho de 2025 e março deste ano, a Selic permaneceu em 15% ao ano, seu maior patamar em quase duas décadas. O colegiado voltou a cortar os juros em recente encontro diante de sinais de queda da inflação, porém o conflito no Oriente Médio — refletido na alta de combustíveis e alimentos — complica a trajetória da política monetária.
O Banco Central, em comunicado recente, informou estar monitorando o conflito e possíveis impactos sobre a dinâmica inflacionária caso o período de tensão se prolongue. O próximo encontro do Copom ocorrerá nos dias 16 e 17 de junho para definir o novo patamar da Selic.
Conforme o Focus, a expectativa do mercado para a taxa básica até o fim de 2026 subiu de 13,25% para 13,5% ao ano. Para 2027 e 2028, analistas projetam redução para 11,5% e 10% respectivamente, permanecendo neste último patamar também em 2029.
Economia cresce modestamente; câmbio sob pressão
As instituições financeiras também revisaram ligeiramente para cima a estimativa de crescimento econômico para 2026: de 1,9% para 1,91%. A projeção para 2027 permanece em 1,7% de expansão do Produto Interno Bruto. Já para 2028 e 2029, o mercado estima crescimento de 2% em ambos os anos.
O primeiro trimestre de 2026 registrou expansão de 1,1% frente ao trimestre anterior, com crescimento de 2% em base anualizada segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2025, a economia brasileira expandiu 2,3%, com contribuição de todos os setores, particularmente da agropecuária, representando o quinto ano consecutivo de crescimento.
A inflação de maio será divulgada pelo IBGE na próxima sexta-feira (12), podendo oferecer novos sinais sobre a trajetória dos preços nos próximos meses.
Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.
