Novo reajuste impacta setor aéreo
A Petrobras elevou o valor do querosene de aviação em 13,9% a partir desta terça-feira (1º de setembro). A decisão representa novo encarecimento do insumo fundamental para as operações das companhias aéreas brasileiras.
Conforme a estatal, o combustível recebeu acréscimo médio de R$ 0,68 por litro. Nas unidades produtoras espalhadas pelo Brasil, o produto passou a ser comercializado entre R$ 5,44 e R$ 5,70 a cada litro. A Petrobras atribui a medida aos reflexos de conflitos geopolíticos que afetam a logística mundial do petróleo.
Contexto de instabilidade global
O aumento se insere em tendência de alta observada ao longo do ano. Desde janeiro, o querosene de aviação acumula elevação de 53,3%, representando incremento de R$ 1,94 por litro. Segundo a estatal, esse movimento acompanha as cotações praticadas no mercado internacional, influenciadas pelas tensões na região do Oriente Médio.
O ponto crítico da situação situa-se no Estreito de Ormuz, canal marítimo localizado ao sul do Irã. Antes do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã deflagrado em 28 de fevereiro, uma quinta parte da produção global de petróleo e gás circulava pela passagem. A redução na oferta disponível nos mercados internacionais pressionou os preços para cima. Apesar de produtor de petróleo, o Brasil não escapa dessa dinâmica: sendo commodities, esses produtos têm seus valores determinados globalmente.
O setor aéreo sente a pressão com intensidade particular. O querosene representa aproximadamente 30% das despesas operacionais das companhias aéreas nacionais, conforme dados da Agência Nacional de Aviação Civil.
Medidas de mitigação
Buscando minimizar impactos nas distribuidoras, a Petrobras implementou mecanismos de flexibilização. Em abril do ano, quando o combustível sofreu elevação de 55%, a estatal permitiu o parcelamento do reajuste. Posteriormente, em junho e julho, chegou a reduzir os preços durante momentos em que negociações entre potências rivais sinalizavam possíveis avanços.
Agora em setembro, a empresa retomou o programa de parcelamento dos aumentos. A medida viabiliza que as distribuidoras dividam o reajuste em três prestações mensais, diminuindo o peso financeiro imediato. A Petrobras também garantiu que todas as solicitações de volume pelas distribuidoras serão atendidas. A empresa utiliza uma fórmula paramétrica contratual que funciona como amortecedor de curto prazo, resultando em ajustes proporcionalmente menores comparados aos observados internacionalmente.
A comercialização do querosene segue estrutura definida: a Petrobras fornece às distribuidoras o produto originário de suas refinarias ou importado. As distribuidoras então transportam e revendem às companhias aéreas e outros consumidores nos terminais aeroportuários ou repassam a intermediários. Embora a estatal detenha aproximadamente 85% da produção nacional, o segmento permanece aberto à concorrência, permitindo que outras empresas atuem como produtoras ou importadoras.
As variações regionais do aumento demonstram heterogeneidade geográfica: em São Luís, o reajuste alcançou 14,34%, enquanto em Canoas, no Rio Grande do Sul, ficou em 13,51%. Por contrato, os preços sofrem reajustes fixos no primeiro dia de cada mês, calendário que continuará regendo os próximos movimentos do combustível utilizado por aviões e helicópteros.
Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.



