Inflação americana fraca impulsiona queda do dólar

A moeda americana apresentou desempenho negativo nesta terça-feira (14), encerrando a sessão cotada a R$ 5,074, marcando seu melhor desempenho dos últimos 30 dias. O resultado refletiu principalmente dados de inflação divulgados nos Estados Unidos que chegaram abaixo do esperado pelos analistas, alterando as perspectivas do mercado financeiro global.

O recuo acumulado ao longo do dia atingiu 1,12%, movimento que se alinhava à tendência internacional da divisa. No acumulado deste ano, a moeda americana registra queda de 7,56% quando comparada ao real. A deflação de 0,4% registrada em junho surpreendeu positivamente o mercado, uma vez que as projeções apontavam contração de apenas 0,1%. Também contribuiu para essa dinâmica a inflação acumulada de 12 meses, que ficou em 3,5%, inferior às estimativas anteriores.

Com esses números em mãos, operadores do mercado diminuíram suas apostas em eventual elevação dos juros pelo Federal Reserve no curto prazo. Essa mudança de expectativa enfraqueceu a moeda americana perante as demais divisas internacionais, beneficiando especialmente as economias emergentes. O índice DXY, que acompanha a performance do dólar em relação a seis moedas de forte circulação, registrou queda de 0,35%.

Mercados brasileiros reagem positivamente

A bolsa de valores brasileira aproveita o cenário externo favorável. O Ibovespa, seu principal indicador, encerrou a sessão com ganho de 0,51%, chegando aos 176.641 pontos. O índice havia recuado no pregão anterior e recupera agora o patamar dos 176 mil pontos. O alívio nas perspectivas de juros norte-americanos funciona como alavanca para mercados emergentes, incluindo o Brasil, uma vez que reduz a atratividade de investimentos em ativos de menor risco nos Estados Unidos.

O preço internacional do petróleo também acompanhou a tendência de alta observada durante o dia. O barril de Brent, considerado referência internacional para precificação, avançou 1,72%, atingindo US$ 84,73. Já o WTI texano subiu 1,53%, fechando em US$ 79,34. As altas refletem preocupações com possível interrupção da oferta mundial, relacionadas às tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã e incertezas que afetam o Estreito de Ormuz, passagem estratégica por onde transita aproximadamente 20% do petróleo comercializado internacionalmente.

Apesar do otimismo dos ganhos, analistas avaliam que preços elevados de energia podem exercer pressão sobre a inflação em escala global, além de potencialmente reduzir o ritmo de expansão econômica e, consequentemente, a demanda por petróleo nos próximos meses. Essa dinâmica limita o potencial de valorização ainda maior das cotações.

A sessão reflete como dados econômicos norte-americanos continuam pautando os movimentos do mercado financeiro global, em especial para economias como a brasileira, que permanece sensível a variações nas expectativas de política monetária americana e aos preços de commodities.

Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.