Redirecionamento de recursos para benefícios
O Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro formalizou na terça-feira (9) uma reconfiguração em sua gestão financeira. A medida prevê que valores que sobrem do fundo responsável pelo custeio administrativo sejam canalizados para o pagamento de aposentadorias e pensões dos servidores públicos estaduais.
Aprovada pela diretoria executiva no dia 2, a decisão estabelece um limiar específico: quando o Fundo Administrativo ultrapassar 150% das despesas acumuladas nos 12 meses anteriores, o excedente será transferido automaticamente para benefícios previdenciários. Até o encerramento deste ano, a expectativa é que aproximadamente R$ 100 milhões sigam essa nova destinação.
Felipe Derbli, que dirige a autarquia, sustenta que o mecanismo cumpre duplo propósito. Além de fortalecer o pagamento dos beneficiários, funciona como ferramenta de contenção de despesas para os próximos períodos. A implementação depende ainda de aprovação pelo Conselho de Administração, com votação prevista para o final de junho.
Mudança na postura de investimentos
Simultaneamente, a gestão da Rioprevidência optou por reposicionar completamente sua estratégia nas aplicações financeiras. O Fundo Administrativo passará a operar exclusivamente com títulos de curto prazo, privilégio da disponibilidade rápida de recursos e exposição reduzida a flutuações de mercado.
Segundo Derbli, não faz sentido expor o patrimônio destinado ao custeio da autarquia a investimentos de horizonte mais extenso, caracteristicamente mais volatilizados. A prioridade agora é blindar esses recursos contra riscos desnecessários, rejeitando operações que demandem maior prazo de resgate.
Contexto de investigações e perdas
A reformulação chega em momento delicado para a instituição. A Polícia Federal investiga desde maio a alocação questionável de aproximadamente R$ 3 bilhões do patrimônio previdenciário em produtos do Banco Master. Entre outubro de 2023 e julho de 2024, foram destinados R$ 970 milhões em Letras Financeiras da instituição. Após obstáculos regulatórios, de dezembro de 2024 a outubro de 2025, novos investimentos em fundos estruturados do mesmo grupo somaram R$ 2,01 bilhões.
O ex-governador Cláudio Castro figura entre os investigados pela operação, que segue sob relatoria do ministro André Mendonça no Supremo Tribunal Federal. As decisões anunciadas nesta terça refletem uma tentativa da Rioprevidência de restaurar credibilidade e reforçar salvaguardas na gestão dos recursos públicos que garantem a segurança financeira de servidores estaduais aposentados.
Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.
