Estreia marcada por obstáculos políticos
Cercado de tensões geopolíticas que quase inviabilizaram sua participação, o Irã entrou em campo nesta segunda-feira (15) em Los Angeles e empatou por 2 a 2 com a Nova Zelândia, na abertura da fase de grupos da Copa do Mundo. O resultado deixa ambas as seleções na liderança do Grupo G, junto com Bélgica e Egito, que se enfrentaram horas antes no mesmo dia — também terminando sem vencedor, 1 a 1, em Seattle.
A trajetória dos iranianos até o gramado refletiu as dificuldades políticas do momento. Atletas, dirigentes e comissão técnica enfrentaram complicações para conseguir autorização de entrada no território estadunidense. O presidente Donald Trump havia afirmado, em março, que a seleção seria “bem vinda” à competição, porém considerou a presença do país “inapropriada”. O conflito bilateral já havia impactado a convocação, com o terceiro maior artilheiro da história da seleção, Sardar Azmoun, excluído — oficialmente por não cumprir prazos para obtenção de visto.
A logística da participação iraniana revelou a gravidade dos entraves. A delegação permanece concentrada em Tijuana, no México, recebendo autorização para entrar nos Estados Unidos apenas um dia antes de cada jogo. Após a estreia em Los Angeles no domingo à noite, a equipe já precisa deixar o território estadunidense nesta terça-feira (16). Essa restrição de permanência se deve às determinações do Departamento de Segurança Interna norte-americano.
Manifestações políticas no estádio
Horas antes do confronto, integrantes da comunidade persa em Los Angeles realizaram protestos em frente ao local da partida. Enquanto alguns manifestantes apoiavam o time, outros rejeitavam a participação nacional e criticavam a conivência dos atletas com o governo vigente. Entre os símbolos exibidos estava a bandeira com leão e sol — bandeira adotada antes da Revolução Islâmica de 1979 — considerada símbolo político e frequentemente proibida pela Fifa, embora torcedores conseguissem levá-la ao interior do estádio.
Apesar do acordo de cessar-fogo anunciado no domingo (14), com duração de 60 dias, as reverberações do conflito continuaram marcando presença. A decisão de manter os três jogos da fase de grupos do Irã em solo estadunidense — em vez de transferi-los para o México, também sede da competição — foi mantida.
Partida movida no ataque
Deixando de lado as questões extracampo, a primeira etapa em Los Angeles foi repleta de movimento ofensivo. Ambas as seleções foram agressivas, acumulando 16 chutes combinados e 28 erros forçados ao longo dos primeiros 45 minutos. A Nova Zelândia abriu o placar aos seis minutos com Chris Wood, que aproveitou uma tabela entre Elijah Just e Sarpreet Singh na entrada da área. Mesmo em vantagem, os oceânicos prosseguiram em busca de ampliar, criando espaços que o Irã explorava em contra-ataques.
Nos próximos compromissos, o Irã enfrenta a Bélgica novamente em Los Angeles no domingo (20) às 16h pelo horário de Brasília. No mesmo dia, a Nova Zelândia viaja para Vancouver para medir forças com o Egito às 22h. Com todas as quatro equipes do grupo com um ponto após a primeira rodada, classificações inéditas para a segunda fase — tanto para a seleção asiática quanto para a oceânica — permanecem como possibilidades realistas.
Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.
