O mercado de colecionadores enfrenta um desafio financeiro inédito. O álbum de figurinhas da Copa do Mundo de 2026 superou todas as edições anteriores em volume: são mais de 980 figurinhas para montar, resultado direto da participação recorde de 48 seleções no torneio — oito times a mais que o Mundial do Catar em 2022.
A conta final assusta quem pretende completar a coleção integralmente através da compra de pacotes. Sem nenhuma estratégia de troca, o investimento pode chegar a R$ 7,3 mil. Os pacotes custam R$ 7 cada um, contendo sete figurinhas. Somado ao preço do álbum brochura padrão, que sai por R$ 24,90, o total mínimo teórico — em um cenário improvável onde não haja repetições — fica em pouco mais de R$ 1 mil.
O caminho mais acessível: as trocas
Quem não quer arcar com gastos astronômicos encontra uma alternativa viável nas trocas comunitárias. Ao se reunir com outros colecionadores e amigos ou frequentar pontos de intercâmbio especializados no formato “um por um”, é possível reduzir drasticamente a despesa. Nesses casos, a economia chega a 80%, deixando o custo entre R$ 1.200 e R$ 1.700.
Porém, essa dinâmica mudou nesta edição. Além das figurinhas convencionais, o álbum contém 68 peças especiais da série Legends — versões raras de grandes astros do futebol com diferentes graus de dificuldade. As categorias variam em raridade: bordeaux, bronze, prata e dourada, sendo esta última a mais procurada e rara, aparecendo uma vez a cada 1.900 pacotes aproximadamente.
As figurinhas de maior valor incluem Cristiano Ronaldo (Portugal), Lionel Messi (Argentina), Kylian Mbappé (França), Lamine Yamal (Espanha) e Vinicius Júnior (Brasil). Em plataformas de compra e venda online, algumas versões douradas já ultrapassam os R$ 500, transformando os tradicionais pontos de troca em espaços de negociação intensa.
Mercado aquecido e descompasso com convocações
A busca por essas peças raras alterou completamente o comportamento nos locais de troca. Segundo Guilherme Ferreira, estudante de Engenharia da Universidade Federal Fluminense, os pontos mudaram seu perfil. “Só ficou o pessoal mais desesperado para conseguir trocar essas figurinhas e muita gente querendo pagar valores altos. Tem um pessoal gastando realmente muito dinheiro,” relatou ao repórter Rafael Sofia, da Rádio da UFRJ.
Outro ponto curioso desta edição é a divergência entre o elenco retratado no álbum e as convocações oficiais. Lançado em maio pela Panini, a produção começou meses antes da divulgação das listas finais de cada seleção. No caso do Brasil, três jogadores aparecem nas figurinhas apesar de não integrarem a convocação do técnico Carlo Ancelotti por lesão: Rodryigo, Éder Militão e Estevão. Situação semelhante ocorreu com outras federações, mantendo no álbum o retrato de atletas meses antes da competição.
A explosão de preços e a procura desenfreada por peças especiais confirmam a tendência de que os álbuns de figurinhas de Copas do Mundo transcenderam o hobby infantil, atraindo cada vez mais colecionadores adultos dispostos a investir somas significativas em uma coleção que combina nostalgia, competição e especulação financeira.
Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.
