Falecimento do religioso alemão marca fim de trajetória de quase um século

Aos 95 anos, faleceu neste sábado (31 de dezembro) no Vaticano o papa emérito Bento XVI, nascido como Joseph Ratzinger. O comunicado oficial da Santa Sé, divulgado por Matteo Bruni, diretor da Sala de Imprensa, confirmou o óbito às 9h34, horário local, ocorrido no Mosteiro Mater Ecclesiae, nos Jardins do Vaticano.

Dias antes, o Vaticano havia alertado para o agravamento do quadro de saúde do religioso em razão do avançar da idade. Desde 2013, Bento XVI residia no mosteiro, onde recebia assistência de membros da associação leiga Memores Domini e de seu secretário pessoal, Dom Georg Gänswein.

Trajetória religiosa e renúncia histórica

Nascido em 16 de abril de 1927 em Marktl am Inn, Baviera, Ratzinger completou seus estudos filosóficos e teológicos entre 1946 e 1951 em instituições alemãs. Ordenado sacerdote em 1951, alcançou o posto de cardeal em 1977 e posteriormente tornou-se prefeito da Congregação Para a Doutrina da Fé em 1981.

Eleito papa em 19 de abril de 2005, Ratzinger foi consagrado como o 265º sucessor do apóstolo Pedro, ocupando a cátedra deixada por João Paulo II, falecido 17 dias antes. Seu pontificado perdurou oito anos até que, em 10 de fevereiro de 2013, publicou uma declaração renunciando ao cargo. Na ocasião, mencionou que a idade avançada havia diminuído suas forças físicas e espirituais necessárias para conduzir adequadamente a instituição. Este gesto o marcou como o primeiro papa a abdicar em aproximadamente 597 anos.

Após sua saída, foi sucedido pelo cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio, que assumiu como papa Francisco em 13 de março de 2013. Reportagens da época sugeriram que um dossiê de 300 páginas relativo ao escândalo Vatileaks — que envolvia vazamento de documentos secretos, disputas internas e denúncias de má conduta — teria influenciado sua decisão. O relatório foi entregue a Ratzinger em dezembro de 2012 e investigado por cardeais designados.

As cerimônias fúnebres ocorrerão nos próximos dias: o corpo será exposto na Basílica de São Pedro a partir de segunda-feira (2 de janeiro), e o funeral acontecerá quinta-feira (5 de janeiro) às 9h30 na Praça São Pedro, sob a presidência do papa Francisco.

A morte de Bento XVI encerra um período marcado por controvérsias internas na Igreja Católica. Investigações posteriores, como a conduzida em 2022 pela firma jurídica Westpfahl Spilker Wastl sobre a Arquidiocese de Munique e Freising, tocaram também em questões relacionadas a sua gestão anterior, mantendo Ratzinger como figura central em debates sobre accountability institucional dentro da hierarquia católica.

Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.