Futebol como ferramenta de transformação social

O chefe do executivo de Nova York, Zohran Mamdani, utilizou as redes sociais neste fim de semana para ressaltar o potencial político do futebol. Ao comentar sobre o confronto entre Brasil e Marrocos pela Copa do Mundo 2026, que terminou em igualdade por 1 a 1 no MetLife Stadium, em Nova Jersey, Mamdani trouxe à memória um dos episódios mais significativos do futebol brasileiro.

Em suas publicações de sábado (13), o prefeito democrata enfatizou que a modalidade transcende o espetáculo esportivo. “O futebol criou movimentos, ajudou a derrubar ditadores e, por 90 minutos, não só nos permitiu esquecer nossos problemas, como também encontrar maneiras de superá-los”, pontuou.

A Democracia Corinthiana e o desafio ao autoritarismo

O executivo central dedicou especial atenção à atuação de Sócrates e ao experimento democrático vivenciado pelo Corinthians durante os anos 1980. Naquele período, o futebolista serviu como capitão da seleção brasileira na Copa de 1982 e também liderava uma iniciativa interna no clube paulista que ia além dos campos.

Quando Waldemar Pires assumiu a presidência corintiana em 1982, a instituição implementou um sistema de participação dos atletas nas decisões administrativas. Atletas como Wladimir, Casagrande, Biro-Biro, Zé Maria e Zenon integravam esse movimento de vozes politizadas que conquistaram poder de voto sobre questões como horários de treino e detalhes da concentração. A estrutura igualitária funcionava sem distinções: um atleta no ataque ou um funcionário da lavanderia possuíam igual peso nas deliberações.

A influência dessa mobilização extrapolou os limites do esporte profissional. Durante aquele contexto de repressão estatal, o Corinthians estampou mensagens políticas nas camisetas, incluindo a insígnia “Diretas Já”, alinhando-se aos movimentos civis que demandavam o retorno do regime democrático ao país.

Mamdani ressaltou que enquanto as autoridades militares promoviam tortura e assassinatos, Sócrates conduzia os jogadores em campo portando jaquetas com a inscrição “Quero votar no meu presidente”. O movimento começou a declinar em 1984, quando Casagrande migrou para o São Paulo e Sócrates se transferiu para a Fiorentina. Mesmo com essa interrupção, o Corinthians colheu frutos esportivos: conquistou o Campeonato Paulista em 1982, 1983 e 1988, além de levantar o Campeonato Brasileiro em 1990, seu primeiro título nessa competição.

Na perspectiva do prefeito, que completa 34 anos e assumiu o cargo em janeiro do presente ano como figura histórica — primeiro muçulmano a ocupar o posto na metrópole americana —, celebrações como a Copa do Mundo representam mais que competição atlética. “Estamos celebrando um esporte que deu a milhões de pessoas, em todo o mundo, tantas delas pobres e esquecidas, um senso de pertencimento, uma conexão com o próximo, um sentimento de solidariedade”, completou.

As manifestações de Mamdani ocorrem enquanto a maior potência econômica do planeta sedeia o torneio mundial, posicionando a metrópole nova-iorquina como um dos polos do evento. Seu destaque ao episódio da Democracia Corinthiana reacende discussões sobre o papel de atletas e instituições esportivas como atores políticos em contextos de opressão.

Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.