Vieira critica postura americana nas negociações
O chanceler Mauro Vieira respondeu nesta quinta-feira às críticas dos Estados Unidos sobre as negociações comerciais bilaterais, argumentando que a administração americana buscou impor condições unilaterais ao país. De acordo com o ministro das Relações Exteriores, Washington exigiu que o Brasil abrisse completamente seus mercados sem oferecer qualquer compensação em troca.
Em suas declarações à imprensa, Vieira afirmou que os Estados Unidos ficaram insatisfeitos porque o Brasil “não aceitou pretensões exageradas” durante as conversas. O chanceler exemplificou as demandas americanas citando pedidos de acesso exclusivo e integral de setores econômicos brasileiros inteiros, caracterizando isso como uma tentativa de “capitulação” do país.
Resposta às críticas de Rubio
Vieira rebateu especificamente as acusações feitas por Marco Rubio, secretário do Departamento de Estado norte-americano, que atribuiu o impasse nas negociações ao “ego” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O chanceler brasileiro argumentou que aquilo que Rubio chama de ego é, na realidade, a determinação do presidente em proteger a soberania nacional e os interesses das empresas e trabalhadores brasileiros.
O ministro também contestou o tom das críticas do diplomata americano, acusando-o de fazer afirmações falsas sobre o empenho brasileiro em negociar e de atacar “de forma grosseira e arrogante” o chefe de Estado de uma nação amiga. Vieira destacou os esforços pessoais do presidente Lula para manter canais de diálogo abertos em diferentes momentos.
Para fundamentar sua argumentação, Vieira enumrou o histórico das conversas entre os dois países. Segundo o chanceler, desde março de 2025 ocorreram mais de 30 encontros, presenciais, remotos e telefônicos. Com Jamieson Green, representante comercial dos EUA, e com Rubio especificamente, foram registrados 11 contatos, incluindo reuniões entre os presidentes.
Contextualização das tarifas
Os EUA anunciaram ontem uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, alegando práticas comerciais desleais. O governo brasileiro rejeita completamente essa justificativa, reafirmando que as medidas carecem de fundamentação econômica legítima.
O ministro ressaltou dados sobre o relacionamento comercial bilateral: nos últimos 15 anos, os Estados Unidos acumularam um superávit de 424 bilhões de dólares com o Brasil em comércio de bens e serviços. Em 2025, 76% das importações provenientes dos EUA entraram no país sem incidência de imposto de importação, incluindo oito dos dez principais produtos americanos importados pelo Brasil.
Vieira também mencionou um episódio anterior de tarifação: em julho de 2025, os EUA aplicaram tarifas de 50% que, conforme o chanceler, tiveram motivação explicitamente política, relacionada à tentativa de interferência no judiciário brasileiro durante o julgamento sobre o caso de tentativa de golpe de Estado atribuído ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Foi nesse contexto que o presidente Trump solicitou ao Escritório do Representante Comercial americano para abrir investigação contra o Brasil sob a Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.
Apesar de caracterizar as medidas como politicamente motivadas, Vieira reafirmou que o Brasil manteve postura construtiva nas negociações, buscando consenso que pudesse evitar o tarifaço anunciado. Para o chanceler, essa sequência de eventos demonstra falta de coerência na aplicação das tarifas por parte da administração americana.
Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.
