Novas restrições econômicas

Os Estados Unidos intensificaram seu arsenal de sanções contra Cuba, direcionando desta vez empresas dos setores de mineração e turismo, além de autoridades cubanas. Na quinta-feira (4 de junho), o Departamento de Tesouro americano adicionou à lista de entidades bloqueadas a Amistur Cuba, empresa turística da ilha, e a Minera la Victoria, empreendimento conjunto que reúne a cubana Geominera com a australiana Antilles Gold na exploração de ouro.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizou possíveis ações futuras contra a nação caribenha. Ao ser questionado por jornalistas no mesmo dia, afirmou que pretende abordar a questão cubana após resolver pendências com o Irã, mencionando potencial interesse em investimentos na região.

O secretário de Estado Marco Rubio reforçou a abordagem americana em comunicado divulgado nas redes sociais, alertando que instituições financeiras internacionais e empresas fornecedoras de serviços às entidades sancionadas também enfrentam risco de sofrer restrições. Segundo Rubio, a administração Trump não aceitará mais a presença de sistemas políticos que qualificou como radicais no hemisfério.

Alvos das restrições

As sanções também atingiram membros da liderança cubana e seus familiares próximos. Miguel Díaz-Canel, presidente da ilha, sua esposa Lis Cuesta Peraza e o filho Manuel Anido Custa foram incluídos nas listas de restrição. A medida se estendeu ainda a Alejandro Castro Espín e Raul Alejandro Castro Calís, respectivamente filho e neto do ex-presidente Raúl Castro.

Instituições governamentais também foram alvo das restrições: o Ministério das Forças Armadas Revolucionárias, o Instituto Cubano de Amizade com os Povos e os Comitês para Defesa da Revolução. Segundo comunicado do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros americano (OFAC), qualquer transação que envolva bens de pessoas designadas como bloqueadas é proibida para cidadãos e operações dentro do território americano.

Havana respondeu com críticas contundentes às novas medidas. Díaz-Canel classificou as declarações de Trump como ameaça ao país e condenou as sanções como ações unilaterais que afetam o povo cubano. Em sua resposta, o presidente prometeu resistência e reafirmou determinação diante do que chamou de agressividade e intervencionismo do governo americano.

O ministro das Relações Exteriores Bruno Rodríguez argumentou que incluir pessoas, empresas e entidades em listas de sanções sem legitimidade demonstra intenção clara de interferir nos assuntos da ilha. Rodríguez também contestou declarações de Rubio ao apontar uma Ordem Executiva assinada em 29 de janeiro de 2026 que autoriza tarifas punitivas contra nações que fornecem petróleo a Cuba direta ou indiretamente.

Contexto do bloqueio

O embargo econômico sobre Cuba, que persiste há quase sete décadas, foi agravado recentemente. A atual administração endureceu as medidas no final de 2025 mediante restrições ao transporte marítimo destinado à Venezuela. Em janeiro de 2026, os EUA ameaçaram sancionar fornecedores de petróleo para a nação caribenha, provocando uma escassez de três meses sem chegada do combustível. Conforme relatado, as medidas têm resultado em aumento dos cortes de energia e elevação nos preços de itens essenciais para a população de 11 milhões de habitantes.

Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.