Defesa das parcerias asiáticas em encontro com potências ocidentais
Durante a cúpula do G7 realizada na França, o Brasil e o Quênia se posicionaram a favor das relações comerciais que mantêm com a China, rejeitando as objeções levantadas pelos líderes das economias desenvolvidas contra Pequim.
O presidente Lula argumentou que enquanto as nações ocidentais veem a economia chinesa como uma ameaça, os países em vias de desenvolvimento a interpretam de forma oposta: como possibilidade de crescimento. Segundo ele, os investimentos mais substanciais que chegam atualmente à África e à América Latina provêm de Pequim, ao passo que Europa e Estados Unidos não têm se apresentado com propostas competitivas na região.
O presidente queniano William Ruto reforçou a posição, destacando que a China representa um parceiro estratégico fundamental para seu país, sendo preferível contar com essa parceria a não possuí-la.
Preocupações econômicas do bloco ocidental
Documentos divulgados pelo G7, que integram França, Reino Unido, Alemanha, Estados Unidos, Japão, Itália e Canadá, apontam que o comportamento econômico chinês estaria provocando desequilíbrios no comércio mundial. Segundo o grupo, Pequim apresentou superávit de US$ 1,2 trilhão em 2025, mantendo consumo interno historicamente deprimido, situação que prejudicaria tanto a balança comercial americana quanto a europeia.
Os líderes ocidentais também expressaram inquietação com a supremacia chinesa em segmentos específicos, entre eles terras raras, veículos elétricos e minerais estratégicos. O documento critica ainda a política cambial de Pequim, argumentando que a desvalorização do renminbi beneficiaria desnecessariamente as exportações chinesas, com impactos particularmente significativos sobre a moeda europeia desde 2021.
“A dinâmica de crescimento cada vez mais desequilibrada na China, na União Europeia e nos Estados Unidos” reflete-se em “déficits e superávits excessivos”, conforme consta do texto oficial do encontro.
Questionado sobre as críticas relativas ao setor de terras raras, o porta-voz chinês afirmou que as práticas de Pequim respeitam integralmente as normas comerciais internacionais, instando o G7 a observar com rigor os princípios da economia de mercado em vez de estabelecer regras exclusivas.
O encontro contou com a participação de convidados além de Brasil e Quênia: Índia, Coreia do Sul e Egito também foram representados. Nos últimos duas décadas, a ascensão econômica chinesa permitiu que países africanos acelerassem seus próprios desenvolvimentos, particularmente mediante investimentos em infraestrutura de transportes, energia e setor manufatureiro. Na América Latina, Pequim consolidou-se como principal parceiro comercial da maioria das nações regionais, contexto que tem levado a administração dos EUA a reafirmar sua intenção de retomar liderança na região.
Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.
