Do consultório à vice-presidência

Neste primeiro dia do ano, Geraldo Alckmin chega à vice-presidência da República aos 70 anos. Formado em medicina, o político encerra uma trajetória de mais de cinco décadas envolvido com a administração pública e, simultaneamente, assume a responsabilidade pela pasta de Desenvolvimento, Indústria e Comércio no governo que acaba de ser empossado, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Natural de Pindamonhangaba, no interior de São Paulo, onde nasceu em 7 de novembro de 1952, Alckmin é casado com Maria Lúcia Ribeiro Alckmin. O casal tem três filhos — Sophia, Geraldo e Thomaz, este último falecido em 2015 — além de quatro netos. Torcedor do Santos Futebol Clube, criado dentro de uma educação de matriz católica, ele apresenta-se publicamente como pai, marido e médico que abraçou a vida pública.

Ascensão política e mudanças de rumo

Sua jornada na política iniciou-se ainda jovem. Com apenas 19 anos, ainda cursando o primeiro ano de medicina, filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB) em 1972 e conquistou o maior número de votos para vereador em seu município, sendo posteriormente eleito presidente da Câmara Municipal. Seis anos mais tarde, em 1976, tornou-se o prefeito mais jovem de Pindamonhangaba, governando a cidade por seis anos.

Seu salto para âmbito estadual ocorreu em 1982, quando venceu a disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo como deputado estadual. Quatro anos depois, com aproximadamente 125 mil votos, elegeu-se deputado federal, ficando como o quarto mais votado entre os escolhidos por São Paulo. Na Assembleia Nacional Constituinte, atuou como vice-líder da bancada do partido que, na época, denominava-se Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB).

Em 1988, participou ativamente da fundação do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), integrando um grupo que incluía personalidades políticas como Mario Covas, Fernando Henrique Cardoso, Franco Montoro e José Serra. Permaneceu filiado a essa agremiação por mais de três décadas. No pleito de 1990, reelegeu-se deputado federal, sendo o quarto parlamentar mais votado pelo PSDB em São Paulo. Nesse mandato, foi responsável pela autoria de um dos projetos que resultou no Código de Defesa do Consumidor e pela relatoria da proposição que se transformou na Lei de Benefícios da Previdência Social.

Alckmin chegaria à governadoria de São Paulo em quatro ocasiões. Posteriormente, em momento marcado por alinhamentos políticos distintos dos anteriores, abandonou o PSDB e ingressou no Partido Socialista Brasileiro (PSB), formalizando uma coligação eleitoral com Lula e o Partido dos Trabalhadores para enfrentar nas urnas a candidatura do então presidente Jair Bolsonaro. Em julho de 2022, a dupla Lula-Alckmin foi oficializada como chapa governista.

Após o sucesso na votação, o vice-presidente eleito coordenou a estruturação da transição de governo, processo que se desdobrou em 32 grupos de trabalho temáticos e um conselho político. Em 22 de dezembro, sua equipe divulgou relatório contendo diagnóstico das áreas, alertas sobre dificuldades orçamentárias e sugestões de revogação de normativas. Na ocasião, Alckmin declarou que o país atravessava situação marcada por retrocessos, afirmando que o governo anterior havia movido a nação para trás e que a administração que começava a receber o legado herdado era consideravelmente mais desafiadora.

A nomeação de Alckmin para integrar o ministério ressalta o papel estratégico atribuído ao vice-presidente na atual gestão, refletindo tanto a necessidade de diálogo com setores empresariais e do agronegócio quanto o reconhecimento de sua experiência acumulada ao longo de décadas na administração pública, transitando entre esferas municipal, estadual e federal.

Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.