Tarifa entra em vigor e atinge quase um quinto das vendas ao mercado americano

A sobretarifa de 25% sobre produtos brasileiros entrou em vigor nesta quarta-feira (22), de acordo com determinação do governo dos EUA. O índice incide sobre praticamente um quinto de tudo que o Brasil exporta para os norte-americanos.

Conforme levantamento realizado pela Agência Brasileira de Promoção das Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Armcham Brasil), o montante de negócios prejudicados pode variar de US$ 7,2 bilhões até US$ 11 bilhões.

A lista de itens sob incidência da medida compreende 2,3 mil produtos distintos. Entre os setores mais atingidos constam eletroeletrônicos, máquinas e equipamentos, autopeças e calçados. Cerca de 700 produtos receberam isenção, quantidade superior aos 615 inicialmente previstos durante as tratativas.

Concentração regional e justificativas americanas

São Paulo e Santa Catarina concentram mais da metade do impacto da medida tarifária. A maior economia estadual brasileira sofre de forma mais diluída, com 41,6% do valor total afetado, enquanto Santa Catarina enfrenta situação mais severa: 68% de suas exportações destinadas aos EUA entram na lista de produtos taxados, segundo dados da Apex-Brasil.

O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) fundamentou a decisão em alegações de que práticas comerciais brasileiras desrespeitam normas internacionais. Como justificativas, apontou seis questões: pagamentos eletrônicos (pix) e regulação de redes sociais; desmatamento ilegal; acesso ao mercado de etanol; combate à corrupção; proteção da propriedade intelectual; e acordos preferenciais com México e Índia.

O Ministério das Relações Exteriores rejeita as motivações apresentadas, considerando-as desprovidas de fundamentação factual e alega que possuem cunho eminentemente político. O ministro Mauro Vieira afirmou que negociadores americanos exigiam abertura de mercados sem oferecer compensações equivalentes.

Respostas do Brasil e planos de diversificação

Em contramedida, o governo federal retomou programa de auxílio aos segmentos afetados, oferecendo linhas de crédito destinadas a capital circulante e investimentos, além de medidas para facilitar a comercialização em novos mercados. A administração também estuda a flexibilização temporária de regras tributárias relativas à isenção, suspensão ou devolução de impostos sobre insumos empregados em produtos exportáveis.

A Apex-Brasil divulgará em agosto um plano orçado em R$ 130 milhões voltado ao redirecionamento das exportações brasileiras. O foco aponta para a União Europeia, nações da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Vietnã, Tailândia, Indonésia, Malásia) e economias da Ásia Central, como Cazaquistão e Uzbequistão.

A medida representa o ponto mais crítico de tensão comercial recente entre Brasil e EUA, sinalizando que negociações sobre o tema prosseguem enquanto o país intensifica esforços para diversificar seus mercados de destino e reduzir dependência da economia norte-americana.

Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.