Trajetória de declínio desde agosto

O fluxo de exportações brasileiras rumo aos Estados Unidos encolheu 14% em maio face a maio de 2025, conforme divulgou nesta quarta-feira o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. A queda integra uma sequência que começou quando as alíquotas do governo Donald Trump começaram a vigorar em agosto do ano anterior.

De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior subordinada ao ministério, o fluxo bilateral perdeu ritmo. Em maio, as vendas somaram US$ 3,09 bilhões, enquanto as compras de produtos americanos ficaram em US$ 3,21 bilhões, gerando déficit de US$ 121 milhões. No acumulado dos primeiros cinco meses, as exportações atingiram US$ 14,01 bilhões com retração de 16%, enquanto as importações alcançaram US$ 15,48 bilhões com recuo de 12,6%, deixando déficit acumulado de US$ 1,47 bilhão.

Especialista evita saltar conclusões

Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Mdic, ressalva que as informações ainda não indicam uma transformação permanente na dinâmica comercial entre Brasil e Estados Unidos. Segundo ele, fluxos de comércio exterior necessitam de tempo para se reorganizar, variando conforme a natureza dos produtos. Bens manufaturados sofrem impactos mais agudos diante de choques tarifários, ao contrário de commodities e alimentos, segmentos que predominam na relação com os americanos, como petróleo, celulose, combustível, carne e café.

Brandão destaca que a velocidade de queda vem se moderando. A maior contração ocorreu em outubro, com 35%, seguida por janeiro com 26%. A partir de fevereiro, o ritmo desacelerou: 20%, depois 10% em março, 10% em abril e 14% em maio. Essa trajetória sugere que fluxos comerciais podem recuperar velocidade, ainda que em cenário de custos elevados provocados pelas tarifas.

A quota americana no total das exportações brasileiras encolheu consideravelmente. Enquanto representava 12% em maio do ano anterior, caiu para 9,7% em maio deste ano.

China amplia hegemonia

Enquanto o destino americano perde tração, a China consolida sua posição de principal receptor das mercadorias nacionais. Em maio, as remessas para o mercado chinês cresceram 9,5%, alcançando US$ 10,5 bilhões. As importações vindas de lá avançaram 24,2%, para US$ 6,8 bilhões, gerando superávit comercial de US$ 3,7 bilhões no mês.

Considerando janeiro a maio, as exportações para a China somam US$ 43,26 bilhões com expansão de 21,8%, enquanto as importações atingem US$ 30,76 bilhões com aumento de 4,1%, resultando em superávit de US$ 15,5 bilhões. A participação chinesa na pauta exportadora nacional passou de 32,1% para 32,9%.

Combustíveis puxam números

Brandão atribui à instabilidade no Oriente Médio o desempenho robusto das vendas de óleos derivados de petróleo pela indústria brasileira. Os distúrbios de fornecimento provocados pelo conflito regional elevaram cotações globais, beneficiando exportadores brasileiros. Em maio, os combustíveis destilados cresceram 75,2% em quantidade embarcada e 49,8% em valor.

O petróleo bruto, porém, apresentou comportamento inverso: queda de 9,3% no valor e retração de 42,1% no volume comparado a maio de 2025. O diretor do ministério esclarece que esse movimento é circunstancial e não guarda relação com a tributação sobre exportação de petróleo instituída pelo governo. Brandão argumenta que a competitividade brasileira permanece elevada e que mesmo com impostos, a produção segue atraente em cenário de preços altos. A inauguração de uma nova plataforma em fevereiro exemplifica a continuidade dos investimentos setoriais.

Os dados refletem dinâmicas comerciais em reconfiguração no segundo trimestre, com mercados norte-americano e chinês em trajetórias opostas, enquanto fatores geopolíticos internacionais continuam moldando fluxos de commodities energéticas.

Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.