Disparidades regionais marcam mercado de trabalho
Metade dos 27 territórios nacionais apresentou indicadores de desemprego mais favoráveis que o patamar geral do país no segundo trimestre deste ano. Cinco desses locais conseguiram manter a desocupação em um dígito abaixo de 3%, revelam informações divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Os números integram a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, disponibilizada na sexta-feira pela instituição responsável por levantar dados socioeconômicos do país. A média que serve como parâmetro de comparação ficou estabelecida em 5,4% para o período analisado.
Quem saiu melhor nessa contagem
Santa Catarina liderou o ranking com 2,1% de desemprego, seguida por Mato Grosso (2,2%) e Espírito Santo (2,3%). Rondônia registrou 2,6%, enquanto Mato Grosso do Sul chegou a 2,7%. Na sequência, aparecem Paraná com 3,1%, e ainda com taxas abaixo do indicador nacional: Minas Gerais (3,8%), Goiás (4,0%), Tocantins (4,1%), Rio Grande do Sul (4,2%) e Roraima (5,0%).
Nas extremidades opostas da classificação, Amapá enfrentou o maior desafio, com 9,8% de desocupação, precedido por Bahia (9,1%). Pernambuco e Piauí completaram a faixa mais crítica, ambos acima de 8%. A região Nordeste concentra a maioria dos territórios com piores resultados, enquanto o Sul demonstra performance mais robusta.
William Kratochwill, especialista que coordena a análise da pesquisa, atribui essas flutuações regionais a elementos estruturais. Conforme sua avaliação, o nível de industrialização das economias locais, a dinâmica do crescimento econômico e a qualificação educacional da força de trabalho determinam essas discrepâncias. “Santa Catarina e a região Sul como um todo apresentam níveis muito mais fortes que os estados do Norte e Nordeste”, observa o analista.
Comparando períodos sucessivos, a taxa geral diminuiu frente aos 6,1% registrados no primeiro trimestre. Entre as unidades territoriais, 13 conseguiram reduzir seus índices de desocupação, enquanto os demais permaneceram estáveis. Mato Grosso do Sul registrou queda de 1,1 ponto percentual, Rio Grande do Norte caiu 1,9, e Paraíba recuou 1,6 pontos percentuais, entre os destaques positivos.
Outro indicador acompanhado pela pesquisa é o desemprego longo. O país tinha 1,06 milhão de pessoas procurando emprego há mais de dois anos – o menor número desde o início da série histórica em 2012. Esse contingente encolheu 15,6% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior.
Desigualdades por gênero e raça
Os dados revelam também hierarquias na distribuição do desemprego. Homens ficaram em 4,6%, enquanto mulheres atingiram 6,4%. Quando observado o perfil racial, brancos apresentaram 4,2%, abaixo da média, enquanto pretos chegaram a 6,9% e pardos a 6,1%, ambos acima do indicador geral. O instituto ressalva que a população que se autodeclara preta e parda configura, conforme a legislação sobre igualdade racial, o conjunto chamado população negra.
A metodologia do IBGE abrange pessoas com 14 anos ou mais e incorpora todas as modalidades de ocupação, independentemente de formalização contratual ou regime de trabalho. Apenas indivíduos que efetivamente buscaram vagas nos 30 dias antecedentes ao levantamento são contabilizados como desocupados. O mapeamento alcança 211 mil domicílios distribuídos por todas as regiões.
Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.




