Recuperação tímida no setor de serviços

Após meses de estagnação e recuos, o segmento de serviços conseguiu reverter a tendência negativa em abril. A expansão de 1,2% marca o primeiro movimento positivo em seis meses, oferecendo um pequeno respiro para um dos pilares da economia brasileira que engloba atividades tão diversas quanto transportes, hospedagem, alimentação, beleza e infraestrutura digital.

O mês anterior havia ficado no vermelho, com contração de 1,1%. Ao longo de todo o período até março, a oscilação mostrou-se fraca: fevereiro e janeiro permaneceram estagnados, enquanto dezembro recuou 0,3% e novembro caiu 0,1%. Na série histórica que começou em 2011, o melhor momento ainda segue sendo outubro do ano passado, quando o setor atingiu 0,3% acima dos números atuais.

Em perspectiva mais ampla, o desempenho acumula ganhos. Comparado ao mesmo mês do ano anterior, o resultado revela alta de 1,9%. Ao considerar os últimos doze meses, a expansão chega a 2,9%. Esses números integram a Pesquisa Mensal de Serviços, divulgada pelo IBGE na quinta-feira (11).

Aviação impulsiona e turismo acompanha

A recuperação não ocorre de forma uniforme. Entre os cinco grandes grupos de atividades monitorados, todos ficaram no positivo durante a passagem de março para abril. O destaque fica com o agrupamento de transportes, armazenagem e correios, que além de liderar o desempenho registrando 0,9%, representa mais de um terço (36,4%) de todo o setor de serviços nacional.

O comportamento da aviação foi determinante. Após perder 16,6% acumulados entre fevereiro e março, o segmento de transporte aéreo de passageiros conseguiu avançar 7% em abril. A explicação reside nos preços das passagens: enquanto fevereiro e março enfrentaram alta acumulada de 18,4%, abril registrou queda de 14,45% conforme os dados do IPCA. No volume de passageiros transportados, a expansão foi de 2,6% ante o mês anterior, embora o transporte de carga tenha caído 0,9%.

Serviços prestados às famílias cresceram 1,4%, seguidos por informação e comunicação com 0,5%, e serviços profissionais e administrativos com 0,4%. O grupo classificado como “outros serviços” teve o maior desempenho relativo, com 2,2%.

O turismo também mostrou sinais de dinamismo. O índice de atividades turísticas (Iatur) avançou 4,1% em abril frente a março. Num período de doze meses, acumula 2,7%. O indicador, que reúne 22 das 166 atividades de serviços monitoradas—incluindo hospedagem, agências de viagem, bufês e aviação—agora fica 11,2% acima do nível pré-pandemia de fevereiro de 2020, ainda que 2,2% aquém do pico alcançado em dezembro de 2024.

Cautela sobre mudança de rumo

Apesar da alta em abril, especialistas evitam comemoração prematura. Segundo Rodrigo Lobo, analista do IBGE, os dados colocam o setor no mesmo patamar do encerramento de 2025, porém sem confirmar inversão na tendência geral de desempenho. “O setor de serviços se mantém operando em patamar elevado, apenas 0,3% abaixo do topo da série, alcançado em outubro de 2025, mas sem uma trajetória muito bem definida, seja ascendente ou descendente”, afirma.

A pesquisa abrange 166 tipos de serviços e coleta informações de 17 unidades federativas: Ceará, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás, Distrito Federal, Amazonas, Pará, Mato Grosso, Alagoas e Rio Grande do Norte. O resultado representa a primeira leitura positiva após um semestre de dificuldades, deixando em aberto se representa ponto de inflexão ou apenas alívio temporário em um período mais longo de instabilidade econômica.

Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.